Ministro nega orientação para frear reforma trabalhista

O ministro do Trabalho, Jaques Wagner, afirmou hoje que não há orientação do governo para frear as discussões sobre a reforma trabalhista e sindical. Ele disse entender a posição do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), de que a reforma só deverá ser votada em 2005, mas reafirmou que, quando forem concluídos os debates no Fórum Nacional do Trabalho, enviará o projeto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a proposta seja encaminhada ao Congresso. "O presidente João Paulo tem absoluta legitimidade como presidente da Câmara para prever como a tramitação da matéria se dará aqui, mas não há por enquanto nenhum entendimento dentro do Executivo que diga para se colocar qualquer tipo de freio", afirmou o ministro em entrevista concedida depois de participar de debate nesta manhã na TV Câmara. Wagner afirmou que continua trabalhando com o calendário combinado com o presidente Lula. Por esse calendário, disse o ministro, o grupo temático de reforma propriamente trabalhista no sentido da legislação começará a funcionar no dia 2 de dezembro. "Nunca disse que vai ser dia tal ou dia qual, mas, para mim, quando estiver pronto no fórum, vai para as mãos do presidente da República, que vai remeter ao Congresso Nacional. A agenda do Congresso não é do presidente, mas das Mesas da Câmara e do Senado", disse. O ministro afirmou que não há nenhuma conversa com o presidente Lula ou com a Casa Civil para mudar o calendário previsto inicialmente para os trabalhos do fórum.Reforma será uma guerra, diz presidente do TSTO presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, afirmou que a reforma trabalhista e sindical será "uma guerra". Ele considera "difícil" a votação da proposta, em fase de elaboração pelo governo, ainda neste ano e no próximo. Francisco Fausto concedeu entrevista depois de participar de debate na TV Câmara sobre a reforma trabalhista e sindical. "Eu não concordaria que ela (a reforma) ficasse (para 2005). Eu constato uma realidade. Acho difícil que ela seja votada este ano. Dificilmente ela será votada no próximo ano que é um ano eleitoral", afirmou. Segundo o ministro, a reforma interessa a todo mundo e não apenas a parcelas da população como a reforma da Previdência e a reforma tributária. "A reforma trabalhista vai ser uma verdadeira guerra", afirmou. "Todo mundo no Brasil ou é empregado ou é empregador. Todo mundo recebe salário ou paga salário. Portanto, todo mundo está interessado nessa reforma", concluiu. A polêmica sobre o adiamento foi gerada por declarações do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), de que a reforma deveria ficar para 2005 porque o próximo ano será atípico no Legislativo com os parlamentares envolvidos nas eleições muncicipais.

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