Ministro português faz lobby em favor de acordo com a Varig

O governo de Portugal reforçou nesta semana o lobby em favor da escolha da TAP, companhia aérea estatal, como o investidor estrangeiro na Varig, apesar da ausência de avanços nas negociações entre as duas empresas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, concentrou sua conversa ontem, com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, nesse tópico. Hoje, ele reiterou o interesse da TAP na compra de 20% do capital acionário da Varig ao chanceler Celso Amorim, mas destacou especialmente que, em sua estratégia para superar a estagnação econômica, Portugal espera tornar-se alvo de investimentos brasileiros. "Fizemos saber ao governo brasileiro que, se a escolha do acionista estrangeiro na Varig for a TAP, teremos mais um laço importante", afirmou Freitas do Amaral, à Agência Estado. "Há muitas complementaridades. A TAP mantém 39 vôos semanais diretos para cidades brasileiras e compartilha vôos com a Varig para várias partes do mundo. Essa participação faria sentido, mas dependerá da decisão das autoridades brasileiras", defendeu. Além da TAP, também concorre pela fatia de 20% da Varig o grupo português Pestana, que investe no Brasil principalmente na área hoteleira. Mas Freitas do Amaral alegou que não poderia defender os interesses de uma companhia privada em detrimento de uma estatal. José Alencar prometeu levar em conta os argumentos, com o cuidado de abster-se de qualquer indicação sobre a decisão que, em princípio, deve ser divulgada até o início da próxima semana. Portugal espera investimentos brasileiros Em visita oficial ao Brasil desde a última quarta-feira, o chanceler Diogo Freitas do Amaral, deixou claro que espera uma leve inversão nos futuros fluxos de capital produtivos entre os dois países. Portugal acumulou US$ 7,994 bilhões em investimentos no Brasil até 2004. Na estratégia do novo primeiro-ministro, José Sócrates, para a recuperação econômica do país está uma lista de cerca de 20 economias das quais espera-se aumento de investimentos. A do Brasil está entre as primeiras, segundo Freitas do Amaral. "A realidade mudou em Portugal. Queremos sugerir ao governo brasileiro que estimule os investimentos privados e também das companhias de capital misto e estatais em Portugal", declarou. Segundo ele, a economia portuguesa mantém-se estagnada nos últimos quatro anos. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004 foi de apenas 0,8%, depois de uma queda de 1,2% em 2003. Espera-se que, neste ano, a atividade econômica cresça 2,0% e, em 2006, 2,4%. O desemprego, por sua vez, alcançou 6,3% da População Economicamente Ativa no ano passado e deverá recuar um pouco em 2005, quando se calcula uma taxa de 5,4%. Imigrantes ilegais brasileiros O cenário econômico menos atraente que o do final da década passada agravou o problema recorrente nas relações Brasil-Portugal - os imigrantes ilegais. Ao tratar do assunto com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Diogo Freitas do Amaral pediu ao governo brasileiro que incentive as companhias aéreas e as agências de viagem a informarem os seus cidadãos dispostos a se fixar em Portugal sobre as dificuldades do país. Ambos tocaram também na difícil implementação de um acordo bilateral, de 2003, para a regularização dos 30 mil brasileiros ilegais radicados no país. Recentemente, o governo português passou a exigir provas de que contam com emprego fixo para concederem o visto de trabalho.

Agencia Estado,

06 Maio 2005 | 13h52

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