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Ministro uruguaio faz duras críticas ao Mercosul

O ministro da Economia e Finanças do Uruguai, Danilo Astori, fez duras críticas ao Mercosul durante reunião com representantes do governo brasileiro e empresários paulistas na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Não há negociação interna no bloco, o que existe hoje são acordos bilaterais entre Brasil e Argentina que prejudicam os outros parceiros", afirmou Astori. Segundo ele, as assimetrias entres os países acabam se agravando em razão da dificuldade de acesso aos mercados. "No Mercosul não há livre comércio", disse.As reclamações do ministro são diretamente proporcionais à queda de exportações de produtos uruguaios para Brasil e Argentina, enquanto um movimento inverso tem ocorrido com os Estados Unidos, onde as exportações de carne vem crescendo vigorosamente. Em 2000, Brasil e Argentina juntos representavam 40% das vendas externas do Uruguai e os Estados Unidos apenas 8%. Já em 2006 os dois países reduziram sua participação para 22%, enquanto o mercado americano passou a absorver 16% das exportações uruguaias.Como o Uruguai, na avaliação de Astori, não tem obtido bons resultados com o Mercosul, a solução encontrada por seu país é fazer acordos bilaterais. Alguns já estão em andamento com Estados Unidos, Índia e Chile. No primeiro caso, existe um tratado de incentivo aos investimentos e está em curso um novo acordo, mas Astori não detalhou as bases da negociação entre os dois países. "No próximo mês teremos uma idéia mais clara", disse. O ministro reconheceu que o tema não é consenso dentro do partido do governo e, por isso, tem sido objeto de debates.Representando o governo brasileiro na reunião, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, reconheceu que o Brasil precisa dar mais atenção ao parceiro. "Um bloco só é bloco se houver integração", afirmou, destacando que o Uruguai está demonstrando impaciência em relação à questão da reciprocidade, porque julgam que ficaram em desvantagem.Rondeau lembrou, no entanto, que recentemente o Brasil forneceu energia para o país vizinho quando eles quase enfrentaram um racionalmente e ressaltou a presença da Petrobras naquele país, com investimentos previstos de US$ 30 milhões. "A Petrobras está presente na distribuição de gás e derivados de petróleo e está negociando investir na modernização de uma refinaria", lembrou.O problema, segundo o ministro brasileiro, é que os uruguaios querem o aumento do comércio entre os dois países, principalmente com maior facilidade para a exportação de arroz. "A mágoa deles é o comércio, mas sabem que o Brasil é um parceiro estratégico".

Agencia Estado,

12 de setembro de 2006 | 16h01

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