Ministros avaliam mercados antes de reunião da Opep

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) avalia nesta quarta-feira, em Caracas, Venezuela, a situação dos mercados do petróleo, em um ambiente marcado pela persistente alta dos preços. As discussões são feitas antes de ser fixada na quinta-feira a oferta para os próximos meses da 141ª Conferência Extraordinária.A maioria dos ministros do setor dos 11 membros da Opep já está na capital venezuelana e iniciou consultas prévias à reunião.No Intercontinental Exchange Futures (ICE) em Londres, os contratos do petróleo Brent para entrega em julho fecharam na última terça-feira a US$ 71,05, depois de subir US$ 0,46 em relação ao preço de segunda-feira. O Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) aumentou US$ 0,66, e chegou aos US$ 72,03 na Bolsa Mercantil de Nova York (NYMEX).Assim, o petróleo WTI, de referência nos Estados Unidos, superou os US$ 72 pela primeira vez em duas semanas, aproximando-se novamente da marca de US$ 75, que ultrapassara em meados de abril.As ondas de violência no Iraque e na Nigéria, além da questão nuclear iraniana, atiçam os temores de possíveis problemas de abastecimento no futuro, enquanto a oferta atual de petróleo supera a demanda e aumenta as reticências dos consumidores.Demanda mundial Um forte crescimento da demanda mundial, principalmente na China, na Índia e nos Estados Unidos, levou a Opep - que controla cerca de 40% da produção mundial de petróleo - a aumentar seu fornecimento ao nível mais alto dos últimos 25 anos.Desde julho de 2005, o Conselho de Ministros da Opep manteve a cota oficial de produção de dez dos 11 países membros - exceto o Iraque - em 28 milhões de barris diários (mbd).Os mercados esperam que a reunião de Caracas confirme este nível de produção durante o verão no hemisfério norte, quando deve começar a nova temporada de furacões, que pode afetar a indústria petrolífera.Oferta e procura No entanto, a Venezuela defende que a relação entre a oferta e a procura justificaria uma redução da produção, mas seus parceiros - embora concordem que o mercado está bem abastecido - estão reticentes em decidir um corte, porque os preços reagiriam com novas altas.O ministro de Energia do Catar, Abdullah bin Hamad Al-Attiyah, disse que não há motivo para escassez, e expressou sua preocupação com "preços muito altos que possam de repente cair muito". Além disso, afirmou que a Opep nada pode fazer neste momento, porque a situação não depende da oferta.O secretário-geral interino do cartel, o nigeriano Mohammed Barkindo, destacou que, por enquanto, "não há sinais de um efeito dos preços atuais sobre o crescimento da economia mundial".A Argélia, os Emirados Árabes Unidos, o Irã, o Kuwait e a Nigéria já tinham expressado sua postura a favor de manter a oferta atual.

Agencia Estado,

31 de maio de 2006 | 15h22

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