Ministros da UE focam em união bancária e ajuda para Espanha

Os ministros das Finanças da Europa examinaram formas de fortalecer seus setores bancários e quebrar a ligação entre bancos em dificuldade e países endividados nesta sexta-feira, com as preocupações com o sistema bancário espanhol no centro das atenções.

REUTERS

22 de junho de 2012 | 08h43

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu que a zona do euro crie um canal de ajuda direta para bancos em dificuldade em vez de fazê-lo por meio de governos, mas a Alemanha e outros países opõem-se a tais empréstimos diretos, os quais não são possíveis sob as atuais regras.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre como a União Europeia (UE) pode se mover em direção a uma "união bancária", incluindo um esquema de garantia de depósitos para todo o bloco e um fundo para resolver bancos podres, numa tentativa de deixar a crise da dívida soberana de dois anos e meio para trás.

Lagarde disse na quinta-feira que, ao permitir que o esquema de resgate da zona do euro, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês), ajude credores em dificuldade diretamente em vez de ajudá-los por meio de governos, evitaria que problemas bancários agravassem as dificuldades dos países.

Ao chegar para o encontro de sexta-feira, o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, disse que tal possibilidade pode estar aberta para a Espanha, que deve receber 100 bilhões de euros de ajuda da zona do euro para seus bancos problemáticos.

"Eu acho que (recapitalização bancária direta) é uma possibilidade", disse ele a repórteres. "Esse é um dos elementos fundamentais para quebrar a ligação entre risco bancário e risco soberano."

"Essa possibilidade está absolutamente aberta para a Espanha se houver progresso nos próximos meses (sobre o assunto). O processo de recapitalização não é instantâneo", afirmou o ministro.

Durante a crise, países da zona do euro têm sido deixados sozinhos para resolver problemas com seus bancos. Para aqueles em que o fardo era muito grande, como foi o caso da Irlanda, o governo recebeu ajuda do FMI e da UE.

Mas depois de anos em crise, os problemas bancários não mostram sinais de resolução e líderes europeus estão sob pressão para formar um fronte unido a fim de blindar credores em dificuldade em vez de deixar os países lidarem com os problemas sozinhos.

Numa cúpula em Bruxelas na semana que vem, líderes da UE irão examinar a formação de uma união bancária que prevê um supervisor único para grandes bancos, um fundo para proteger credores do bloco em dificuldade e um esquema de garantia de depósito para proteger depositantes.

(Reportagem de John O'Donnell e Robin Emmott; reportagem adicional de Annika Breidthardt)

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