Ministros debatem na OMC, mas diferenças persistem

Economias emergentes como o Brasil e aÁfrica do Sul se queixaram na terça-feira da falta deiniciativa dos EUA em questões agrícolas, o que estariaimpedindo contrapartidas dos países em desenvolvimento. O encontro ministerial da Organização Mundial do Comércio(OMC) nesta semana em Genebra está sendo tratado como a "últimachance" da Rodada Doha da abertura comercial global, já que afalta de um acordo pode fazer o processo, lançado em 2001,ficar parado durante mais vários anos, atropelado pelocalendário eleitoral norte-americano. Na terça-feira, os EUA ofereceram limitar o teto de seussubsídios agrícolas em 15 bilhões de dólares, mas Brasil, Índiae outras grandes economias emergentes exigiram concessões maisgenerosas, já que a cifra oferecida por Washington aindarepresenta aproximadamente o dobro dos subsídios efetivamenteconcedidos atualmente pelos EUA a seus produtores rurais. "Dentro do que é politicamente viável, 13 [bilhões dedólares] está perto do razoável", disse o chanceler brasileiro,Celso Amorim, para quem o processo avança lentamente. "E acâmera lenta é melhor que a paralisia completa", acrescentou. Os participantes dizem haver um acalorado debate também arespeito da abertura de mercados industriais nos países emdesenvolvimento. Para tentar superar as diferenças, o secretário-geral daOMC, Pascal Lamy, decidiu na terça-feira dividir os ministrosem grupos menores para discussões mais detalhadas. Váriosparticipantes já estão prorrogando suas reservas de hotel,prevendo que o encontro irá se prolongar além do sábado, comoestava previsto. A representante comercial dos EUA, Susan Schwab, disse quea aguardada proposta norte-americana para os subsídios foi "umajogada importante" e que agora cabe aos países emdesenvolvimento abrirem suas economias e seus mercados a maisimportações. Os países em desenvolvimento se queixam de que os subsídiosdos EUA a seus produtores prejudicam a participação dosagricultores de nações pobres no mercado, reduzindo a oferta dealimentos e contribuindo com a recente inflação global. A UniãoEuropéia também enfrenta pressão para cortar seus subsídios. O ministro sul-africano do Comércio, Mandisi Mpahlwa, disseque não é hora para concessões e que seu país quer garantias deproteção às suas indústrias. A Índia também rejeitou a oferta dos EUA, levando umsenador norte-americano a divulgar nota em Washington dizendoque "se a Índia vai se colocar no caminho da abertura de novosfluxos comerciais, então os negociadores deveriam fazer asmalas e ir mais cedo para casa".

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