Ministros divergem sobre subsídios agrícolas em reunião na OMC

Ministros de mais de 30 potênciascomerciais se reuniram em Genebra neste domingo para negociaralianças, como preparação para conversações decisivas napróxima semana sobre a formação de um novo pacto mundial decomércio. Várias dificuldades na questão agrícola continuamfirmes no foco do debate. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC),Pascal Lamy, convocou os ministros a Genebra para buscar umasaída para os sete anos da Rodada de Doha, que visa a diminuirbarreiras comerciais em todo o mundo. Os vários grupos de interesse entre os 152 membros da OMC,como o Grupo de Cairns (de exportadores de alimentos) e ospaíses do APC (Africa, Caribe e pacífico), se reuniram nestedomingo para traçar sua estratégia. Logo se tornou evidente que o nível de subsídios agrícolasdos Estados Unidos seria um dos primeiros objetos de contenda. A representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, vemdizendo que seu país está pronto para fazer cortes "enormes" noapoio aos fazendeiros. Os países em desenvolvimento afirmam queesse incentivo distorce o comércio internacional e empurra seusprodutores para fora do mercado. As últimas propostas da OMC pediam um corte de cerca de 70por cento nos subsídios prejudiciais dados ao comércio dos EUA,que não poderiam ultrapassar o valor de 13 a 16,4 bilhões dedólares. Mas esse número se refere ao teto negociado na OMC e não aovalor pago de fato ou destinado pelo governo, que agora estápor volta de metade disso, ou cerca de 7 bilhões de dólares,graças ao aumento dos preços mundiais dos alimentos. "Aqueles números dos níveis atuais de apoio interno dos EUAsão um dos dados que surgiram na discussão", disse a ministrado Comércio da Indonésia, Mari Pangestu, depois de uma reuniãodo G-33, grupo formado por países em desenvolvimento. Pangestu disse que os países em desenvolvimento estãoansiosos por ver a redução da distância entre o teto dossubsídios nos EUA e seu nível real --conhecido no jargão da OMCcomo "água". "O objetivo é reduzir a quantidade de água", disse ela arepórteres. No sábado, o ministro de Relações Exteriores do Brasil,Celso Amorim, também rejeitou falar em corte de 70 por cento noteto dos EUA e denunciou a existência de padrões duplos edesinformação nas conversações da OMC. Ministros presentes nas conversações, que se concentrarãonas mercadorias industriais e agrícolas, as questõesprincipais, vão acompanhar ansiosamente para ver se Schwabapresenta uma nova oferta sobre subsídios agrícolas. Na sexta-feira, o Comitê de Agricultura do Senado dos EUAdisse a Schwab que não dará apoio a um acordo que corte ossubsídios agrícolas dos EUA mais do que abra mercados de outrospaíses aos produtos agrícolas norte-americanos.

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