Ministros europeus acordam novo pacote de resgate à Grécia

Autoridades pedirão a credores da Grécia que aceitem adiar pagamento de dívidas de vencimento iminente.

BBC Brasil, BBC

19 de junho de 2011 | 22h02

Ministros das Finanças dos países da zona do euro acordaram na noite deste domingo um segundo pacote de resgate financeiro para a Grécia, para evitar o risco de moratória que ronda as dívidas de Atenas.

Após uma longa reunião em Luxemburgo, os ministros disseram que vão buscar um acordo informal e voluntário com os credores da Grécia - como bancos, fundos de pensão e seguradoras - para adiar o pagamento das dívidas, de forma a evitar a declaração de calote.

O acordo ocorre em meio a manifestações na Grécia contra as medidas de austeridade impostas pelo governo grego.

A Grécia vem sendo pressionada em relação às medidas de controle de gastos exigidas pelo FMI e pela UE como contrapartida aos pacotes. Enquanto os cortes são extremamente impopulares no país, gerando protestos da população, autoridades europeias consideram que o governo não está se esforçando para implementar o plano.

Desconfiança

Na próxima terça-feira, o Parlamento irá votar uma moção de desconfiança contra o novo gabinete, formado pelo primeiro-ministro George Papandreou.

O correspondente da BBC em Atenas Chris Morris afirma que os gregos estão fartos de ouvir sobre "austeridade", "recessão" e "dívida". Segundo Morris, ninguém acredita que o pacote tenha aliviado os problemas do país.

Muitos analistas se mostram céticos quanto à capacidade da Grécia para sair da crise, mesmo com mais um pacote de ajuda. Embora o governo diga que possa fazer isto, ele ainda deve convencer os gregos de que o esforço vale a pena, diz o correspondente da BBC.

Contaminação

Nesse sábado, o primeiro-ministro de Luxemburgo e diretor do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, disse que a crise grega pode contaminar pelo menos outros cinco países europeus - incluindo Itália e Bélgica.

Em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, Juncker afirmou ainda que a Alemanha estava "brincando com fogo" ao propor que investidores privados participem da ajuda financeira à Grécia, além dos governos dos países da zona do euro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesse sábado que os credores privados participem da ajuda à Grécia. Para Merkel, um novo pacote de resgate deve incluir um aporte "substancial" de bancos privados.

"Temos novamente de mostrar solidariedade (a Atenas) e também de incluir credores privados", disse a chanceler, em Berlim.

Na última sexta-feira, Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram uma demonstração conjunta de apoio ao resgate grego, o que acalmou os mercados financeiros. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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