Ministros propõem área de livre comércio no Pacífico

Os ministros de comércio e de relações exteriores da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) disseram que pedirão a seus funcionários que estudem formas para se chegar à visão de longo prazo para uma "área de livre comércio para a Ásia-Pacífico". A área proposta cobriria as 21 economias que fazem parte da Apec, do Chile à China, passando pelos Estados Unidos. A região responderia por 40% da população mundial, de 6,7 bilhões de pessoas, e por mais da metade do PIB global.

MARCÍLIO SOUZA, Agencia Estado

12 de novembro de 2009 | 10h37

"A Apec vai trabalhar no sentido de reduzir barreiras não apenas dentro do bloco, mas também com outras economias de fora da Apec", disseram os ministros em comunicado antes do encontro de cúpula marcado para o final de semana, no qual o presidente dos EUA, Barack Obama, estará presente. Os ministros também prometeram abrir o comércio para produtos e serviços com baixo impacto ambiental, como parte de esforços para combater a mudança climática e atingir um crescimento econômico sustentável.

A mudança climática causada pelo ser humano "é um dos maiores desafios que o mundo enfrenta", disseram os ministros ao fim de uma reunião de dois dias em Cingapura e antes da conferência internacional sobre aquecimento global em Copenhague no mês que vem. "Vamos tentar assegurar que o crescimento econômico seja consistente com o desenvolvimento sustentável", afirmaram. "Também vamos adotar medidas para facilitar a difusão de tecnologias favoráveis ao ambiente", disseram eles, acrescentando que vão trabalhar para aumentar a eficiência de energia e reabilitar as florestas da região.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que participou do encontro em Cingapura, comemorou os esforços da Apec sobre tecnologia limpa. "Eu acredito que novamente a postura pragmática, que é a de abrir mais espaço para produtos e serviços ''verdes'' do que o resto (do mundo), faz muito sentido", disse Lamy. "Estamos tentando fazer isso na OMC, mas se a Apec assumir a liderança, será ótimo", acrescentou. Os membros da Apec também prometeram trabalhar para desbloquear a rodada Doha.

A ideia de uma área de livre comércio no Pacífico foi recebida com frieza quando levantada pelos EUA em 2006, mas ganhou força após os problemas da rodada Doha. As autoridades alertaram, no entanto, que uma zona de livre comércio continua sendo uma ambição de longo prazo, com a Apec já se esforçando para cumprir a meta de eliminar todas as barreiras comerciais entre seus membros desenvolvidos até o ano que vem.

"As pessoas estão dizendo que, como a Apec tem 21 membros, ela é grande demais e os estágios das economias são muito diferentes", disse o ministro de Economia de Taiwan, Shih Yen-shiang. A região já possui um total de 42 acordos de livre comércio regionais e bilaterais, que precisariam ser harmonizados. O diretor-executivo da Apec, Michael Tay, no entanto, disse que a crise econômica global "reforçou a ideia de que o livre comércio é realmente um caminho a seguir".

A Apec guia-se por metas fixadas em 1994, que estabelecem que os membros desenvolvidos formem uma área de livre comércio e investimento até 2010 e os países em desenvolvimento até 2020. Um avaliação sobre o cumprimento dessas metas será feita no ano que vem sob a liderança do Japão, o próximo país a ocupar a presidência do bloco. A Apec é formada pela Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Filipinas, Rússia, Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, EUA e Vietnã. As informações são da Dow Jones.

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