Ministros que reveem subsídios são ligados ao lobby agrícola

Europa quer atuação do G-20 na retirada de barreiras comerciais

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

GENEBRA

Metade dos ministros de Agricultura europeus que vão negociar a redução de subsídios agrícolas já foi lobista do setor em defesa da ajuda estatal ou recebeu subsídios para produzir. A Europa inicia a fase final do debate sobre seu programa de subsídios, que distribui 40 bilhões por ano e é acusado pelo Brasil e outros países de distorcer o mercado.

Um estudo publicado ontem pela entidade FarmSubsidy.org revela que os subsídios agrícolas tiram do cidadão europeu cerca de 100 por ano. Isso sem contar o dano para os países em desenvolvimento. Agora, a entidade diz como ministros também teriam interesse em manter o sistema. Um deles é o ministro da Agricultura da Dinamarca, Henrik Høegh. Em dez anos, recebeu mais de 600 mil em subsídios. Hoje, seu filho e sua filha continuam no setor agrícola e ainda se beneficiam de subsídios.

Em 2009, foi ainda revelado que a filha do vice-ministro de Agricultura da Bulgária, Dimitar Peychev, recebeu sozinha 700 mil em subsídios, o que a fez a maior recipiente de subsídios europeus na Bulgária naquele ano. Ela tinha apenas 27 anos.

Os escândalos começam a aparecer. Há poucos anos, o então ministro da Agricultura da Holanda, Cees Veerman, escondeu de suas declarações de renda pelo menos cinco fazendas em seu nome. Uma na Holanda e quatro na França. Por sua produção, recebia 185 mil em subsídios.

Outra que vem do setor agrícola é a ministra da Bélgica, Sabine Laruelle. Ela resistiu à ideia de publicar o destino dos subsídios no país, alegando que apenas levaria a uma "caça às bruxas".

No Reino Unido, o estudo mostra que o governo de David Cameron escolheu Caroline Spelman como ministra da Agricultura. Ela era uma das principais lobistas da União de Fazendeiros, defensora do setor do açúcar, um dos mais distorcidos do mundo.

A ministra de Agricultura da Finlândia, Sirkka-Liisa Anttila, vem de uma família de produtores rurais e continua a manter sua fazenda. Governos da Holanda, Áustria, Suécia, Lituânia e Romênia também têm líderes dos produtores como ministros.

Para James Clasper, um dos autores do estudo lançado ontem, os cidadãos europeus precisam se perguntar se é adequado que, dos 27 ministros da UE, 12 tenham sido lobistas que lutavam pelos subsídios ou eram eles mesmos fazendeiros que se beneficiavam da ajuda.

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