Ministros relatam a FHC as análises sobre a crise

O presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniu no início da tarde com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Parente e Malan relataram as análises feitas hoje na reunião da Câmara de Política Econômica, que contou com a participação do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e diretores do BC. O presidente, segundo fontes consultadas pela Agência Estado, foi informado da situação complexa que o País vive neste momento, não apenas em relação à deterioração do cenário de curto prazo como também das expectativas desfavoráveis em relação à percepção do mercado ao comportamento da campanha do candidato da aliança PMDB-PSDB, José Serra. A deterioração dos mercados hoje, com o dólar ultrapassando os R$ 3,60, e sua desaceleração ? pequena - após a forte intervenção do Banco Central, é atribuída, também, ao processo eleitoral, que tem introduzido na análise político-econômica variáveis complexas. Além disso, há uma deterioração da percepção do risco País, escassez de recursos de linhas de financiamento e reflexos de uma conjuntura internacional adversa. Segundo as mesmas fontes, preocupa particularmente a lentidão na resposta dos investidores e agentes do mercado financeiro às declarações de apoio ao Brasil. A avaliação do governo, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, é de que "pouco importa" a reafirmação diária de que o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) será fechado no curtíssimo prazo, bem como o pronunciamento do governo americano respaldando a política econômica brasileira. Outros fatores- como os resultados das pesquisas eleitorais- contribuem para a volatilidade dos mercados domésticos e, consequentemente, afetam o humor dos investidores e o clima diário do País. No campo eleitoral, aposta-se, segundo as mesmas fontes, que a divulgação do programa de governo do candidato José Serra possibilitará a manifestação efetiva da classe empresarial à campanha de Serra e atrairá o segmento econômico-financeiro, que atualmente demonstra simpatia à candidatura Ciro Gomes, da Frente Trabalhista. As fontes insistem em que a reunião com o presidente "é de rotina". "Foi uma reunião rotineira, mas com os ingredientes do momento atual", acrescentou um assessor. Paralelamente à reunião da Câmara de Política Econômica, o ministro Pedro Parente recebeu, em seu gabinete, o representante do Fundo Monetário, Shinji Takaji, que está em visita ao País.

Agencia Estado,

31 de julho de 2002 | 14h22

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