Minoria aproveita para fazer baderna, diz Pezão sobre protestos no Rio

Em mais um dia de violência em protestos contra o pacote de ajuste fiscal proposto pelo governo do Rio, PM chegou a usar espaço de igreja para lançar bombas em manifestantes

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2016 | 21h01

BRASÍLIA - Enquanto manifestantes protestavam contra o pacote de ajuste fiscal do governo do Estado, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, esteve na noite desta terça-feira, 6, na Câmara dos Deputados e disse que as propostas são medidas que precisam ser enfrentadas. "Não são fáceis, são medidas duras", comentou. O governador concluiu que o protesto desta tarde, em que a PM chegou a usar o espaço de uma igreja para lançar bombas em manifestantes, foi marcado por uma minoria que se aproveita da discussão para "fazer baderna".

Dentro da Alerj, as votações seguiram alheias aos confrontos, embora o gás tenha entrado no plenário. Parlamentares chegaram a usar máscaras. A deputada estadual Tia Ju (PRB) passou mal, foi atendida e passa bem, segundo a assessoria de imprensa do Legislativo. 

Estavam em pauta duas resoluções do Legislativo, para cortar gastos com a casa, e dois projetos de Pezão. As propostas do pacote eram menos polêmicas: um adota notificações eletrônicas em processos da Fazenda; o outro reduz em 30% o salário do governador e do alto escalão. As quatro matérias foram aprovadas. A previsão da Alerj é terminar de votar tudo até o dia 12, e não mais no dia 15.

Pezão, que foi a Brasília para um encontro com a bancada do Rio na Câmara, agradeceu ao apoio da base governista na Assembleia fluminense que tem "tentado defender as medidas". "A gente sabe que, se nós não tivermos sacrifícios, não vamos conseguir atravessar, a economia não está respondendo", justificou. O peemedebista destacou que o País vive um momento de queda da atividade econômica, que três Estados já declararam calamidade financeira e que outros também devem declarar. 

Ele pediu que a população ajude a aprovar as medidas para o Estado e atravessar o momento difícil. "É o sacrifício que a gente está pedindo a todos. O Executivo cortou na própria carne", declarou. O governador, que também esteve hoje com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a área econômica ficou de apresentar medidas ao Rio de Janeiro e que espera novidades para a próxima semana. Segundo Pezão, Meirelles tem tratado da situação econômica do Estado com o presidente Michel Temer.

Pezão disse que o governo estadual tem 448 mil funcionários públicos, entre ativos e inativos, e que os manifestantes formam uma minoria que se aproveita do momento e da discussão para promover a "baderna". "Não é a totalidade da população fluminense", ressaltou o governador. Pezão não comentou o confronto entre policiais e manifestantes nesta tarde.

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