coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Minoritário estrangeiro ignora caso Pasadena

Para fundo Aberdeen, compra da refinaria não é relevante como é a política de preços dos produtos da Petrobrás

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2014 | 02h08

"É um fato da vida". Assim é resumido o caso da refinaria de Pasadena por Nick Robinson, diretor no Brasil da maior gestora de recursos da Europa, a escocesa Aberdeen, e que detém quase 5% das ações preferenciais da Petrobrás. "Esse assunto não tem relevância em termos de investimento e de resultados para a empresa".

Quando se investe em grandes estatais pelo mundo, assuntos parecidos surgem, como com a russa Gazpron ou a chinesa PetroChina, segundo Robinson. No caso do Brasil ganhou relevância política, em função das eleições. "No contexto econômico, entretanto, esse assunto não é relevante. A precificação dos produtos é. A Petrobrás é uma das exploradoras de petróleo mais eficientes do mundo mas perde muito dinheiro na venda de seus produtos".

O pragmatismo de Robinson parece reverberar na bolsa de valores. Mesmo em meio à discussão da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e de diversas denúncias sobre superfaturamento na compra da refinaria americana, as ações da Petrobrás subiram 25% nas duas semanas de maior fogo cerrado do noticiário, depois de atingirem os menores níveis em oito anos.

A alta das ações está diretamente relacionada à possibilidade de reajuste de preços da gasolina ainda neste ano ou pela possibilidade de a presidente Dilma Rousseff não se reeleger, e assim a política de preços da estatal ser alterada, segundo alguns operadores.

Mas a perda de valor dos últimos meses atingiu os fundos da Aberdeen, que há dez anos é acionista minoritário da companhia. Tanto que se tornou um dos piores investimentos do fundo. Mesmo assim, ainda persiste no papel. A gestora inclusive vai lançar em abril um fundo destinado a investidores brasileiros e vai replicar a carteira de ações que possui, incluindo Petrobrás.

Recentemente, a Aberdeen reduziu a participação na companhia, mas segundo George Kerr, um dos gestores do fundo, a venda se deveu ao fato de que os estrangeiros reduziram exposição ao risco de mercados emergentes como um todo, logo houve redução de risco Brasil e por consequência venda de papéis da Petrobrás.

Brasileiras. Dos US$ 500 bilhões sob sua gestão, depois da compra da gestora de recursos do Lloyd's Bank, a Aberdeen tem US$ 13 bilhões aplicados em empresas brasileiras. Por aqui, são acionistas relevantes em empresas como Lojas Renner, Ultrapar, Multiplan, entre outros.

Apesar das participações relevantes - em algumas poderia ter assento no conselho - a gestora não quer ter atuação na administração. A estratégia é a de comparecer a todas as assembleias de acionistas, investir em companhias que tenham conselheiros independentes e comparar com investimentos parecidos fora do Brasil. Foi usando dessa lógica que se desfizeram no ano passado da livraria Saraiva. "Nos Estados Unidos, as livrarias estão indo todas para a internet e aqui a Saraiva estava abrindo lojas físicas", diz Kerr.

Ao todo, possuem papéis de 35 empresas, mas apenas Petrobrás, Bradesco e Vale representam o Brasil no fundo global de ações da companhia. As aplicações em Bradesco e Vale não decepcionaram o fundo. Ambas tiveram valorizações em bolsa. No caso da Vale, estão satisfeitos com a troca de comando que segundo eles tem agora focado mais em rentabilidade do que na pretensão de ser a maior do mundo. Quanto à Petrobrás, se desfazer do papel é uma possibilidade analisada pela gestora. Mas o fato da vida, segundo Robinson, é que muitas estatais petroleiras são as únicas com acesso às reservas de seus países. E petróleo ainda é considerado um bom investimento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.