Minoritários cobram informações da OGX

Grupo de 30 investidores se reuniu ontem em São Paulo para pedir mais transparência da empresa, cujas ações hoje valem menos de R$ 0,50

CIRCE BONATELLI, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h09

Um grupo de aproximadamente 30 minoritários da OGX se reuniu ontem com o objetivo de debater o futuro da petroleira e articular maneiras de participar ativamente dos rumos da empresa. A reunião foi convocada pelo acionista Willian Magalhães pelo Twitter e foi realizada em um restaurante de São Paulo.

O acionista é criador do perfil "Minoritários OGX" no Twitter, que contabiliza 886 seguidores e 1,7 mil postagens. A conta foi criada para reunir investidores que perderam dinheiro com a companhia. O valor das ações da companhia petrolífera do grupo EBX, do empresário Eike Batista, foi reduzido praticamente a pó nos últimos meses. Ontem, após nova forte queda, de 20%, o papel fechou cotado a R$ 0,43% na BM&F Bovespa.

Segundo Magalhães, o encontro servirá para que os minoritários possam discutir como "devolver valor aos ativos da companhia". Na prática, o grupo tem a intenção de eleger um candidato para o conselho administrativo e instalar um conselho fiscal na OGX.

"O movimento vai tomar uma linha mais proativa com a empresa, mas uma linha processual está fora de questão. Diferente de outros grupos, não é essa a proposta da nossa parte", explicou Magalhães.

Pequenos valores. O grupo reunido ontem é composto por pequenos investidores, como empresários e executivos, que em sua maioria detinham entre 50 mil a 150 mil papéis da OGX.

Apesar de terem o patrimônio deteriorado após o derretimento das ações, o clima era tranquilo entre os participantes. Dentre eles está o empresário Eduardo Quevedo, que cobra mais transparência da companhia. "Queremos saber se a empresa tem condições de se recuperar ou se os ativos todos eram fantasia", afirmou.

Nesta semana, um outro acionista minoritário, Márcio de Melo Lobo, pediu à Justiça o bloqueio dos bens do empresário Eike Batista, controlador da OGX. No entanto, a Justiça do Rio indeferiu o pedido.

Em sua requisição, Lobo citou notícias sobre a crise da petroleira para alegar que a empresa está em situação financeira de risco, e a indisponibilidade dos bens de seu controlador seria uma garantia contra futuros danos. Já na avaliação da Justiça do Rio, a situação da OGX se mostra difícil, mas tornar os bens da companhia indisponíveis poderia deteriorar ainda mais a situação do negócio.

Poços secos. A crise na empresa se instalou depois que uma série de poços da empresa se revelou inviável para produção, contrariando as expectativas ousadas sempre alardeadas por Eike Batista na mídia.

Agora, as dúvidas se amontoam sobre a empresa. A saída de Eike do negócio seria inviável, já que sua permanência está atrelada a títulos de dívida emitidos no exterior no valor de US$ 3,6 bilhões.

O questionamento da saúde da empresa fez a Agência Nacional de Petróleo (ANP) afirmar ontem que dois poços arrematados pela petroleira podem ser repassados à Petroleira Ouro Preto, de Rodolfo Landim, caso a OGX não tenha condições de arcar com o compromisso.

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