Minoritários querem mais pelo Ponto Frio

Pequenos acionistas exigem receber o mesmo valor que foi pago aos controladores

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

Os acionistas minoritários da Globex Utilidades, dona da rede varejista Ponto Frio, estão dispostos a brigar pelo recebimento do mesmo valor pago pelas ações dos controladores. A proposta do grupo Pão de Açúcar é pagar 80% do preço de compra. Assim, os controladores vão receber R$ 9,48 por ação e os minoritários, R$ 7,58."É uma economia de mais ou menos R$ 71 milhões em cima dos pequenos acionistas, que somam menos de 30% do negócio", diz André Gordon, sócio da GT Invest, uma gestora de recursos que tem em carteira, em um de seus fundos, cerca de 89 mil ações da Globex. O argumento de Gordon, que já entrou com uma reclamação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM ) e também com um pedido de avaliação das condições da operação na Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), é que proposta do Pão de Açúcar viola as garantias previstas no artigo 42 do estatuto da Globex. "No artigo está escrito que, em caso de eventual venda, os minoritários terão acesso às mesmas condições dos controladores", explica. "Quando investimos nas ações da Globex, sabíamos que existia uma chance de a empresa ser vendida, e levamos em conta o que dizia o estatuto. E, ao que parece, a empresa compradora não leu o estatuto", acrescenta.Na opinião de um analista de banco, que prefere não ser identificado, o ponto que deve ter fundamentado a decisão de pagar 80% do valor da ação para os minoritários pelos executivos do Pão de Açúcar se apoia no fato de a empresa ainda não ter migrado para o Novo Mercado, onde vale a regra de pagar 100% do valor mesmo aos que não sejam controladores. Gordon discorda desse argumento e acha que o estatuto tem de ser seguido. RISCO EM ALTAO anúncio da compra fez com que as ações do Ponto Frio despencassem quase 18% ontem na Bovespa. Além disso, alguns analistas mudaram suas recomendações de compra para venda das ações do Pão de Açúcar. Sugeriram cautela aos seus clientes por acreditar que a mudança de foco no negócio do Pão de Açúcar, para gerir o Ponto Frio, pode resultar em perda dos benefícios alcançados com a recente reestruturação do grupo. "Vender eletrodomésticos é bem mais arriscado do que vender alimentos", diz um deles.

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