Minoritários questionam fechamento da Bahia Sul

O fechamento de capital da Bahia Sul está provocando reclamações de acionistas minoritários em relação aos valores envolvidos em troca de papéis. A operação já estava nos planos da controladora Suzano desde o ano passado, quando o grupo anunciou uma reestruturação. Nas mudanças, a empresa cindiu as atividades em dois setores específicos de negócio - petroquímico e papel e celulose.Os acionistas não receberão dinheiro, mas ações da Suzano. Cada 20 papéis da Bahia Sul serão trocados por um da controladora, mas da área de papel e celulose da Suzano - e não da companhia inteira, como o mercado as negocia hoje (no jargão financeiro, significa que os investidores terão ações "ex-cisão" em mãos).Como os papéis "ex" ainda não estão sendo negociados, não é possível se saber ainda se a troca representa ganho ou perda para o investidor. As ações que estão em Bolsa serão divididas assim que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovar a divisão.O preço das ações de petroquímica, quando começarem a ser negociadas, derivará do valor atual da Suzano no mercado. Isso significa que a ação atual - que será então só de papel e celulose - perderá um pouco do valor num primeiro momento.Segundo os acionistas, quanto mais valor o papel perder, mais cara ficará a relação de troca da Bahia Sul, na comparação com os preços em Bolsa. Os cálculos do minoritário José Cláudio Pagano apontam que pode haver perda de 20% em relação ao valor da empresa hoje no mercado "e se eu não aderir, serei sócio de uma companhia fechada". O critério é justo, afirmam o vice-presidente de Relações com Investidores da Suzano, Adhemar Magon, e o diretor financeiro da Bahia Sul, Bernardo Szpigel. Eles explicam que "foi utilizada metodologia consagrada internacionalmente e prevista em lei".Os preços alcançados, afirmam, levam em conta o desempenho futuro das empresas e a criação de valor para o acionista. "Vemos o projeto como de longo prazo", comentaram. Eles aconselharam os acionistas a migrarem para a nova empresa, já que, além das sinergias ganhas com o processo, terão ações com mais liquidez.Para especialistas, a operação da Suzano é positiva. A liquidez é citada como uma das principais vantagens, mas eles questionam as dificuldades de se calcular os ganhos na troca, já que as ações de petroquímica ainda não têm um preço.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.