Missão americana aprova carne de boi brasileira

Avaliação de técnicos, depois de examinar produto cozido, é que o sistema de segurança alimentar do País é semelhante ao dos EUA

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

Depois do imbróglio em maio com a carne de boi cozida brasileira, que foi barrada nos Estados Unidos por exceder o nível máximo permitido do vermífugo invermectina, a missão americana que esteve no Brasil para inspecionar plantas e frigoríficos voltará hoje com a avaliação de que o sistema de segurança alimentar doméstico é similar ao dos EUA.

A retomada das exportações, no entanto, ainda deverá demorar. Oficialmente, a decisão sairá em até dois meses, mas o Ministério da Agricultura está otimista com a volta do aval americano mais cedo.

"Falam em até 60 dias, mas geralmente vem antes", comentou ontem o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério, Nelmon Costa, que esteve reunido com representantes da missão americana. "Estamos nessa expectativa positiva e tudo o que sabemos é que estamos no caminho certo, mas não queremos criar expectativa em relação a prazos", desconversou.

A missão do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS, na sigla em inglês) chegou ao Brasil em 31 de agosto e, de acordo com o ministério brasileiro, considerou que os inspetores brasileiros estão habilitados a fazer as auditorias. Além disso, teria analisado que o sistema de inspeção nacional é organizado. Os técnicos estiveram em unidades produtivas e laboratórios de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A visita esteve intimamente relacionada com a detecção de um lote com vermífugo acima de 10 partes por bilhão (ppb) em músculo - máximo permitido nos EUA. Na ocasião, o próprio governo brasileiro optou por suspender a comercialização do produto. Mas depois, quando considerou que a situação já estava contornada, os americanos anunciaram que gostariam de fazer a avaliação deles antes de reabrir seu mercado. Desde então, a comercialização está parada.

Plano de ação. Depois do problema, o Ministério da Agricultura elaborou, com a iniciativa privada, um plano de ação que começou a ser adotado em junho. Entre as normas está a seleção, pelos frigoríficos, de fornecedores de carne bovina que respeitam o período de carência do uso da ivermectina, desde a aplicação de um medicamento, até o abate dos animais.

"O plano está sendo executado; não ficou dúvida em relação a isso", disse Nelmon Costa.

Além disso, uma série de exames com quase 500 amostras de carne está sendo realizada por meio desse plano. O diretor garantiu que, depois da adoção das medidas, nenhuma amostra apresentou teor acima do permitido nos Estados Unidos.

Costa salientou que a venda de carne termoprocessada brasileira não é grande em volume ou valor, mas é um mercado significativo porque serve de vitrine para o resto do mundo. No total, 22 unidades estão habilitadas a vender esse produto para os EUA.

Alguns frigoríficos se comprometeram a adotar o procedimento para a carne termoprocessada que é enviada para a União Europeia, depois que o Brasil também apresentou o mesmo problema com o bloco econômico.

Otimismo

NELMON COSTA

DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL

"Falam em até 60 dias (retomada das exportações), mas geralmente vem antes."

"Estamos nessa expectativa positiva e tudo o que sabemos é que estamos no caminho certo, mas não queremos criar expectativa em relação a prazos."

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