finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Missão complicada

Como tanta coisa nessa crise, fica difícil prever a reação imediata dos mercados ao que vierem a decidir os chefes de Estado do Grupo dos 20 reunidos em Washington para examinar uma saída para a encalacrada em que está metida a economia global.Tanto pode haver comemoração como novo desastre. Está tão generalizado o descrédito sobre a reunião que qualquer anúncio positivo poderá ser bem-vindo. Mas pode ocorrer o contrário. Pode prevalecer a percepção de que os 20 mais poderosos do mundo não sabem o que fazer. Independentemente dos resultados, convém examinar duas das propostas que podem ser encaminhadas para decisão. A primeira é criar um organismo multilateral que supervisione as 30 ou 40 maiores instituições financeiras globais de forma a bloquear na origem qualquer contágio. A outra é conceder mandato a uma instituição multilateral para advertir o mundo quando uma bolha estiver em formação.A idéia de uma instituição para xerifar os maiores bancos do mundo esbarra em três problemas. O primeiro é o de que obrigaria os Estados Unidos a abrir as contas dos seus bancos a uma instituição composta por estrangeiros. Não é o tipo de coisa que as autoridades americanas estão dispostas a admitir.O segundo é o de que grandes bancos não são necessariamente os que produzem as maiores encrencas. O Lehman Brothers nem banco comercial era e não passava do quarto maior banco de investimento americano. O Kaupthing, da Islândia, possui dimensões modestas e, no entanto, aprontou um pandemônio na Alemanha, Inglaterra e Holanda. O inglês Northern Rock é apenas uma sociedade de crédito imobiliário, mas provocou o que se sabe. Supervisionar só um pedaço do território financeiro seria como limitar a manutenção da aeronave às turbinas e deixar de fora o resto, como, por exemplo, o sistema de freios reversos. A TAM tem uma história sobre isso.Terceiro obstáculo, muitas instituições não bancárias têm capacidade de provocar uma catástrofe sistêmica tanto quanto um banco grande. É o caso dos bancos de investimento, fundos de hedge, seguradoras e sociedades de crédito imobiliário. É para deixá-los de fora?A outra proposta é criar um sistema de captação de crises em formação. Algo como a rede de sensores na Ásia, que detecta a ocorrência de tsunamis. A primeira idéia é a de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) se encarregue disso.O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, rechaçou a proposta no Financial Times, de Londres: "Não penso que possa haver um sistema mecânico em que luzinhas fiquem piscando e, em algumas vezes, passem instantaneamente do verde ao vermelho, país por país."O Washington Post apresentou um segundo argumento contra: "Os economistas não são bons nas previsões econômicas." Nem o Federal Reserve (banco central americano) conseguiu detectar a atual bolha financeira. E, pode-se acrescentar: os economistas estão tão desacreditados que não convenceriam ninguém, muito menos os legisladores, se previssem corretamente a formação de grandes crises.Enfim, a tarefa de montar novo esquema de governança mundial do sistema financeiro não é tão simples, como alardeiam alguns líderes europeus.

Celso Ming, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.