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Missão do FMI chega à Argentina na 5ªf.

O ministro da Economia, Roberto Lavagna, anunciou aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires que o Fundo Monetário Internacional (FMI) enviará ao país uma missão encabeçada por John Thorton na próxima quinta-feira. Segundo ele, a Argentina já está discutindo políticas fiscais e monetárias com o organismo. Porém, Lavagna admitiu que o FMI continua renitente à exigência de que o presidente Eduardo Duhalde vete a inclusão de artigos da revogada Lei de Subversão Econômica ao Código Penal. "Por enquanto, a posição do FMI é de que sem o veto não há acordo", disse. Segundo fontes da Casa Rosada, o presidente Duhalde não está disposto a vetar os artigos, o que poderia atrasar ainda mais o acordo com o Fundo. O ministro Lavagna falará novamente hoje, por telefone, com Anne Krueger. Ele disse que está esperando, por fax, um rascunho daquilo que será tratado pela missão na Argentina.Roberto Lavagna não considera que o fortalecimento de Anoop Singh dentro do FMI possa prejudicar as negociações do organismo com seu país. "Creio que o que há é uma preocupação de enfocar boa parte da atuação da América Latina em um só pacote, definindo uma política mais abrangente para os Continentes", disse Lavagna, ao opinar sobre a indicação de Singh para Departamento Hemisfério Ocidental. Reclamações O ministro negou que o governo argentino tenha feito reclamações sobre a indicação de Singh e explicou que houve somente um pedido de esclarecimento sobre a postura dele em relação a pontos das negociações que o país faz com o FMI. Lavagna enumerou também como um dos problemas que atrasa o avanço das negociações da Argentina com o Fundo o fato de apenas 17 das 24 províncias terem assinado o acordo de redução do déficit. Porém, em sua visão, esta pendência poderia ser incluída no programa de metas fiscais, que está em discussão com o organismo.Sobre as observações feitas pelo FMI sobre a saída do ´corralito´ o ministro disse não ver problemas. Segundo ele, o assunto pode ser "objeto de negociação nas metas monetárias e fiscais". Lavagna confirmou que o FMI queria um programa compulsório ao estilo do Bonex, de 1989, para trocar os depósitos por títulos públicos. O ministro afirma ainda que não se pode esperar para fazer o programa monetário até o dia 16 de julho, como vem falando o mercado. Esse é o prazo final dado para os depositantes fazerem sua escolha. Ele discorda e argumentou com Krueger, ontem, que o programa monetário pode ser feito dando andamento às negociações com o FMI. Acordo automotivoO ministro de Economia Roberto Lavagna afirmou que espera fechar o acordo automotivo com o Brasil antes do fim de julho. Segundo ele, a Argentina aceita a proposta do Brasil de aumentar o conteúdo de peças regionais e informou que propôs ao Brasil a proporção de 2,4 x 1 (para cada carro importado o país que comprou pode exportar 2,4 automóveis). Lavagna considera que as negociações estão avançadas. Ele disse que o modelo de crescimento para a Argentina está intimamente ligado ao Mercosul como instrumento de inserção mundial, porém, é preciso entender que neste momento não se pode avançar em nenhum dos dois lados em termos de convergências de políticas macroeconômicas. "A Argentina primeiro tem de assentar o seu programa econômico definitivo e o Brasil passar pelo período eleitoral". O ministro informou ainda que está de acordo com a proposta do ministro Sérgio Amaral "de limpar a mesa" e por isso continua as análises dos processos de antidumping contra a carne suína, de frango e têxtil brasileiros. No setor de suínos já foi constatado que não há dumping, o que significa que a Argentina está pronta para suspender as barreiras comerciais desse produto. Lavagna explicou que para limpar a mesa antes é preciso concluir as investigações, que demoram cerca de 90 dias. Caso contrário, a iniciativa privada poderá protestar legalmente a suspensão das medidas.Leia o especial

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 12h11

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