Missão do FMI faz auditoria no BC argentino

A missão do Fundo Monetário Internacional que está em Buenos Aires para estudar a reestruturação do sistema financeiro argentino iniciou o trabalho com uma auditoria interna no Banco Central. Enquanto não chega o inglês John Thornton, a missão está encabeçada pelo técnico grego, Thanos Gatsambas, que espera ainda a chegada de novos técnicos amanhã. Eles poderão estar acompanhados pelo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, Anoop Singh, o que daria à missão o caráter mais político e negociador, segundo o jornal econômico BAE. Esta missão estaria encarregada de discutir o programa monetário, o qual inclui os mecanismos de intervenção do BC no mercado de câmbio e a concessão de empréstimos aos bancos com problemas de liquidez. Segundo o jornal, fontes do Ministério de Economia teriam dito que a viagem inesperada de Anoop Singh seria o resultado das conversas que o presidente do BC, Aldo Pignanelli, manteve com o diretor-gerente do FMI , Horst Köhler, na Suiça, no último final de semana. Se a presença de Anoop Singh for confirmada, o governo poderá, enfim, contar com um avanço concreto nas negociações com o organismo. Conforme disse, há cerca de 15 dias, o próprio porta-voz do FMI, Thomas Dawson, o organismo somente enviaria uma missão com caráter negociador por ocasião da elaboração da carta de intenções. Porém, conforme pode averiguar a Agência Estado, no próprio Ministério de Economia desconhecem a informação sobre a viagem de Anoop Singh. Além disso, um dos pontos centrais das negociações é o programa monetário que somente poderia ser definido após a reunião do chamado "conselho de notáveis" em duas semanas, o qual dirá como reestruturar o sistema financeiro do país. Como o programa monetário envolve os "redescontos" (empréstimos aos bancos), este depende da reestruturação do sistema antes de ser fechado e também do resultado da troca de bônus pelos depósitos. Após verificar com quanto de depósitos os bancos ainda contarão, estes saberão o montante de empréstimos que necessitarão para manter-se de pé. Amanhã também deverá chegar a missão do Banco Mundial (BIRD), prevista , inicialmente, para chegar junto com a missão do FMI, ontem. Ambas trabalharão toda a semana de olho no Banco Central para, segundo uma fonte do BC, checar qual "a real independência da instituição em relação ao Ministério de Economia e como o BC controla os bancos do sistema". A autonomia do BC, que já anda bastante questionada pelo mercado, provocou a saída de Mario Blejer e, agora, um novo curto-circuito entre o atual presidente Aldo Pignannelli com o ministro de Economia, Roberto Lavagna.A missão quer saber ainda como o governo fará para não continuar perdendo reservas (o BC perdeu US$ 5,106 bi de janeiro até agora) e como cumprirá as metas de emissão monetária até dezembro. O governo prevê emitir 7,5 bilhões de pesos ante a previsão inicial de 3 bilhões. No entanto, somente no primeiro semestre, o governo já emitiu outros 7,5 bilhões. Amanhã, os técnicos se reunirão no ministério de Economia com o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen.Leia o especial

Agencia Estado,

09 de julho de 2002 | 12h21

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