Missão do FMI pretende enxugar sistema argentino

Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) desembarcará nesta segunda-feira em Buenos Aires para discutir com o governo do presidente Eduardo Duhalde a reestruturação do sistema financeiro. A idéia ? um velho pedido do organismo internacional - é a de reduzir as dimensões do sistema, considerado pelo FMI como?exagerado? para a Argentina, mais ainda, nas atuais circunstâncias de estancamento econômico. A meados da semana passada, o próprio presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, afirmou que de um total de 100 bancos instalados no país, somente 40 poderiam continuar com capacidade operacional. A intenção do FMI e de Pignanelli é a de realizar um forte ajuste nos bancos, que incluiria o fechamento daqueles sem liquidez e a fusão deoutros. Estas fusões ocorreriam principalmente nos bancos estatais, tanto os federais como os provinciais.Segundo o secretário da Fazenda, Jorge Sarghini, o acordo com o FMI poderia ser assinado em agosto. Em Buenos Aires a declaração de Sarghini não foi levada à sério, já que o governo Duhalde promete que o acordo ?sairá no mês que vem? desde março. Sarghini sustentou que existem ?todas as razões fundamentais? para conseguir um acordo com o Fundo. ?É importante obter uma rolagem da dívida até o ano que vem, mas também é preciso conseguir créditos para planos sociais, o pré-financiamento de exportações e o financiamento do déficit das províncias?.Junto com a missão do Fundo, chegará à Buenos Aires uma equipe do Banco Mundial, que se encarregará de discutir a renegociação das tarifas das empresas privatizadas de serviços públicos. As empresas, a maioria de capital espanhol e francês, querem um reajuste urgente, pois alegam que estão tendo enormes perdas com a desvalorização da moeda nacional, o peso.O governo Duhalde, no entanto, teme aumentar as tarifas, já que poderia colaborar em uma maior disparada da inflação, que desde o início do ano já acumula mais de 30%. Bônus FracassaA oferta - feita pelo governo Duhalde - dos bônus em dólares com vencimento no ano 2005 em troca dos depósitos semi-congelados dentro do ?corralito? foi um fracasso. Até asexta-feira passada, quando terminou o prazo para a troca, a quantidade de argentinos que se dispuseram a realizar a operação foi mínima. De um total de 22,42 bilhões de pesos que poderiam ter sido trocados, somente 103 milhões (o equivalente a 0,5% do total) foram oferecidos. No entanto, como o governo fixou um teto para a cotação do dólar em2,75 pesos (muito abaixo da cotação atual, que oscila ao redor de 3,60 pesos), somente puderam ser aceitos 23 milhões, referentes aos correntistas que concordaram com esse valor.O próprio ministro Lavagna admitiu que as pessoas não estão interessadas nos bônus porque temem que o governo não pague os títulos no futuro. Para tentar contonar o fiasco do bônus Boden 2005 ? e esperar uma virada - o governo decidiu adiar o encerramento do prazo até o dia 16 de julho.O governo afirmou que não pretende realizar uma troca de bônus compulsória, ao contrário do que pedem os bancos instalados na Argentina e também o FMI.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.