Missão do FMI vai à Argentina no dia da eleição

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não vai esperar o resultado das eleições para enviar uma equipe negociadora do próximo acordo com a Argentina. Na noite de domingo próximo, 27 de abril, dia do primeiro turno das eleições presidenciais, uma equipe do FMI desembarcará em Buenos Aires para começar a negociar com as equipes técnicas dos candidatos que chegarem ao segundo turno, marcado para 18 de maio. A missão será comandada pelo braço direito de Anoop Singh, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, John Dodsworth. A viagem que estava prevista, ateriormente, para ser realizada no final de março, foi adiada justamente para o primeiro dia eleitoral para expor a preocupação do organismo sobre a necessidade de que o próximo governo trabalhe em um plano sustentável para o país. Oficialmente, a missão terá o objetivo de revisar as contas e as metas do acordo assinado em janeiro último. Porém, o período de permanência da mesma, em Buenos Aires, que envolve exatamente 14 dias entre o primeiro e o segundo turno, demonstra que a intenção é o início das conversas com os candidatos que estarão disputando a cadeira presidencial. Fontes do ministério de Economia confirmaram que o próprio Anoop Singh comunicou-se com o ministro Roberto Lavagna. Se o ganhador for Néstor Kirchner, Lavagna continuará no comando da equipe econômica argentina.Anoop Singh já se reuniu, em Washington, com os candidatos Carlos Menem e Ricardo López Murphy, os preferidos dos empresários e dos mercados, e também com os enviados de Néstor Kirchner e de Adolfo Rodríguez Saá. Elisa Carrió, a candidata de oposição, recusou o convite do organismo para discutir o futuro econômico da Argentina. O encarregado do caso argentino, John Thornton, também participa da missão que, do ponto de vista técnico, tem dois objetivos: O primeiro é alinhar as contas públicas para que o próximo governo possa honrar os compromissos de pagamento das parcelas da dívida com os organismos multilaterais, no valor de US$ 3,3 bilhões de dólares, as quais vencerão nos primeiros dias de setembro. O segundo diz respeito à reestruturação do sistema financeiro junto com o Banco Central. Segundo as fontes do Ministério de Economia, Roberto Lavagna tem a intenção de avançar em tudo o que for possível sobre o próximo acordo.Dentre outros pontos pendentes que o FMI quer incluir no acordo, destacam-se: a resolução definitiva dos processos judiciais e administrativos em curso para habilitar o aumento das tarifas dos serviços públicos; início oficial da renegociação da dívida em default; a aprovação de leis e decretos necessários para estimular o fluxo de capitais externos, o investimento privado e o consumo; e as reformas estruturais do sistema tributário, da lei de co-participação federal e do setor público.

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