Missão russa quer ampliar o comércio com o Brasil

O governo da Rússia quer transferir para o Brasil parte da forte relação comercial que o país mantém com os Estados Unidos. Com esse objetivo, uma delegação russa liderada pelo ministro de Alimentos de Moscou, Alexander Barburin, desembarcou neste domingo no Brasil e vai cumprir, até quinta-feira, uma agenda repleta de encontros comerciais.Na primeira rodada, que aconteceu hoje, a missão viajou até Pereiras, no interior paulista, para um encontro com empresários do setor avícola. Nesta segunda-feira os russos reúnem-se com a imprensa no World Trade Center, em São Paulo, depois seguem para Brasília para reuniões nos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento. À tarde, o encontro será com o vice-governador de São Paulo, Cláudio Lembo e, na quarta-feira, com a prefeita da capital, Marta Suplicy. Estão marcadas reuniões da comitiva, integrada também pelo vice-ministro Victor Olkhovoy, pelo cônsul geral da federação russa Alexander Generalov e por sete empresários, com entidades setoriais como a Associação Brasileira de Exportadores de Frangos (Abef) e Associação Brasileira de Produtores de Carne Suína (ABPCS).A Avicultura Céu Azul, que recebeu hoje a delegação russa, iniciou recentemente a exportação de frangos para aquele país. O potencial de exportação dessa carne entusiasma os empresários do grupo brasileiro. No ano passado, eles enviaram representantes a Moscou para negociar diretamente com o governo. "Estamos iniciando um negócio promissor", disse o diretor da empresa e da Câmara de Comércio Brasil - Rússia, Franke Pavan.No ano passado, os russos compraram 295 mil toneladas de frango brasileiro. O volume representa apenas um décimo do que foi comprado dos Estados Unidos. A Rússia já é a principal compradora da carne suína brasileira. Cerca de 85% das exportações de 2002 foram dirigidas àquele país, rendendo cerca de US$ 400 milhões.De acordo com o presidente da Câmara de Comércio Brasil - Rússia Antonio Rosset, o sistema de quotas criado pelo governo russo não deve ser obstáculo para os negócios entre os dois países. "As vendas diretas para o governo não estão sujeitas à restrição." Segundo o ministro Baburin, o governo russo busca um equilíbrio maior nos negócios entre os dois países. "Hoje, compramos de 3 a 4 vezes mais do que o Brasil compra de nós." Segundo ele, um dos objetivos da missão é convencer o governo brasileiro a importar o trigo russo. "Hoje, temos para exportar 28 milhões de toneladas anuais." O Brasil importa anualmente 10 milhões de toneladas, sobretudo da Argentina. Baburin acredita que em 4 ou 5 anos, o País será um dos principais parceiros comerciais da Rússia. "Há uma grande simpatia entre o povo russo por tudo o que é produzido no Brasil."De acordo com o vice-presidente da Câmara de Comércio, Grigori Goldchleger, há outro fator favorável aos negócios com o Brasil: a maioria do povo russo ainda tem forte resistência a produtos norte-americanos.

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