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Missão vai à China negociar restrições à soja brasileira

O governo brasileiro vai enviar uma missão técnica à China até o final deste mês com o objetivo de negociar as restrições sanitárias impostas pelo governo daquele País à soja brasileira. Desde ontem, o governo chinês está exigindo que produtos como a soja, que podem ser geneticamente modificados, tenham uma certificação de segurança - obtida junto ao Ministério da Agricultura chinês - para poder entrar no país. A nova exigência afeta em cheio as exportações de soja, do Brasil, mas também a de outros fornecedores como os Estados Unidos, maior exportador de soja para a China, e a Argentina, que vem em segundo lugar. A decisão de enviar uma missão técnica à Pequim foi tomada ontem, em reunião realizada no Ministério da Agricultura, com representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e do Itamaraty. Os empresários querem uma solução rápida para o problema porque a partir do mês que vem começa o forte das exportações de soja brasileiras para a China. O Brasil exporta cerca de 20% de sua produção de soja em grão para os chineses, sendo que no ano passado, essas vendas foram de US$ 537 milhões (3,192 milhões de toneladas) e de US$ 337 milhões em 2000 (1,783 milhão de toneladas). A China consome anualmente 28 milhões de toneladas de soja, sendo que desse total importa 13 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos estados Unidos (USDA) estima que as exportações de soja americana para a China somem US$ 1 bilhão anualmente. Situação delicadaA situação do Brasil com relação às novas exigências da China para as importações de soja é delicada, pelo menos no curto prazo. O cultivo e a comercialização de produto transgênico ainda depende de decisão da Justiça Federal. Por outro lado, embora esse plantio seja proibido, é publicamente sabido que já existem grandes áreas cultivas com o produto geneticamente modificado, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná. Diante disso, fica difícil ao Ministério da Agricultura atestar que a produção brasileira não possui grãos geneticamente modificados. Uma das alternativas poderá ser o exportador brasileiro obter um certificado junto ao Ministério da Agricultura afirmando que o seu produto é cultivado de forma tradicional. A certificação para esse tipo de produto, no entanto, ainda depende de regulamentação por parte do Ministério. Os Estados Unidos, por exemplo, conseguiram uma licença provisória para continuar exportando soja para a China, por um prazo de 270 dias (para evitar a paralisação das vendas). Para isso, asseguraram às autoridades sanitárias de Pequim que seu produto é transgênico, mas não apresenta risco alimentar, porque é consumido por toda a população americana. Itens para barganhaPara barganhar com os chineses os técnicos brasileiros colocarão à mesa de negociações alguns questões do interesse dos exportadores daquele País, como maior abertura de mercado para o alho. Além de barriras sanitárias, causadas pela falta de informações sobre a incidência de pragas, o produto chinês vem sendo penalizado com a aplicação de direito antidumping específico de US$ 0,48 por quilo do produto que ingressa no Brasil. No final do ano passado uma missão chinesa veio à Brasília e conversou com os técnicos do Ministério da Agricultura sobre o assunto. Até hoje, no entanto, não enviou as informações complementares que foram solicitadas pelo Departamento de Defesa e Inspeção de Produtos Vegetais do Ministério. Durante a estada em Pequim, além da soja, os técnicos brasileiros tentarão reabrir o mercado chinês para as vendas de frango brasileiro. Sob a alegação de falta de controle sobre a doença de "newcastle" (que afeta o sistema nervoso das aves) a China suspendeu as aquisições desse produto do Brasil.

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