Mistura de biodiesel poderá ser de 3% já em 2008, diz Hubner

Adição de 2% do combustível ao diesel será obrigatória a partir de terça; aumento da proporção seria opcional

Leonardo Goy, da Agência Estado,

28 de dezembro de 2007 | 12h56

O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse nesta sexta-feira, 28, que o governo pode autorizar, em 2008, a mistura de 3% de biodiesel ao diesel mineral vendido no País. A partir da próxima terça-feira, a adição de 2% do biocombustível será obrigatória. "Esperamos ter uma autorização para a mistura de 3% em 2008", disse o ministro. Ele explicou que, se houver autorização, o aumento da proporção de 2% para 3% de biodiesel será opcional. Pela lei que rege o setor de biocombustíveis, depois da obrigatoriedade dos 2% em 2008, os postos e distribuidoras terão que aumentar a adição de biodiesel para 5% em 2013. Nesse meio tempo, porém, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode autorizar aumentos (não obrigatórios) na proporção da mistura. Hubner reiterou que o governo examinará a possibilidade de antecipar o início da obrigatoriedade da mistura de 5% de 2013 para 2010. O ministro comentou que algumas empresas de transporte coletivo urbano em São Paulo, Curitiba e Salvador já usam, em caráter experimental, misturas de até 20% de biodiesel nos motores de seus ônibus. Abastecimento Hubner afirmou ainda que "não existe risco" de faltar biodiesel no mercado quando a lei de 2% começar a valer. "A capacidade instalada de produção de biodiesel é três vezes superior ao que é necessário para atender à exigência legal", disse. Segundo ele, as usinas instaladas no País têm capacidade para produzir 2,5 bilhões de litros de biodiesel por ano, enquanto a necessidade é de aproximadamente 840 milhões de litros por ano. Hubner disse que as distribuidoras já contrataram 99% do biodiesel que precisarão utilizar nos próximos seis meses. "Podemos ter um ou outro problema isolado, mas a logística de distribuição está muito bem montada", afirmou. Ele acrescentou que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fiscalizará os postos e as distribuidoras para saber se a mistura de 2% está sendo cumprida. A punição para as distribuidoras e postos que não fizeram a adição do biodiesel é a de não poderem comercializar o diesel mineral. Hubner disse acreditar que a mistura não elevará o preço do combustível, apesar de o biodiesel ser mais caro do que o diesel comum. "Acredito que não haverá aumento de preço para o consumidor. Acho que o mercado vai regular isso sozinho", afirmou .  O ministro observou que o mercado do varejo é livre, mas, segundo ele, o aumento de custo para distribuidores e postos com a compra de biodiesel é inferior às diferentes margens de lucro em uma mesma região e entre diferentes regiões do País. "Acreditamos que os postos vão usar o biodiesel como estratégia de marketing e, por isso, não acreditamos em impacto no preço", afirmou Hubner. Segundo ele, a adição de 2% de biodiesel a partir de 1º de janeiro terá um efeito positivo na balança comercial brasileira de cerca de R$ 900 milhões, em 2008, que será proporcionado pela redução na importação de diesel. Em 2007, o Brasil importou 7% do diesel mineral que consumiu.

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