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Mistura de etanol na gasolina vai passar de 25% para 27%

Medida, reivindicada pela indústria da cana, deve ser aprovada pela presidente Dilma Rousseff e entrar em vigor no dia 16 

O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 11h49

Atualizada às 22h40

A elevação da mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 25% para 27% deverá ser submetida à aprovação da presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira. Se aprovada, a medida entrará em vigor a partir do dia 16. A proposta foi debatida nesta segunda-feira, em Brasília, entre o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e representantes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Fórum Nacional Sucroenergético e Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

A sinalização do Palácio do Planalto de que o aumento da mistura poderá ser aprovado foi bem recebida pelo setor sucroalcooleiro, que nos últimos meses negociava um pacote de ajuda para tirar as usinas de uma das mais graves crises financeiras já enfrentada. 

Com a volta da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e a elevação do PIS/Cofins sobre combustíveis, que vão acrescentar R$ 0,22 ao litro da gasolina, anunciada no início de janeiro, e a possível elevação da mistura, o setor sucroalcooleiro volta a respirar, segundo fontes ouvidas pelo Estado. Mas essas medidas, juntas, ainda não são suficientes para que o setor retome os investimentos. Para a presidente executiva da Unica, Elizabeth Farina, as recentes medidas anunciadas pelo governo são “positivas”.

A elevação da mistura, que começou a ser discutida no fim de 2013, enfrentava resistência das montadoras, que começou a realizar estudos de viabilidade. “A proposta de consenso foi de 27% de mistura do etanol na gasolina comum e manutenção da atual mistura para os combustíveis premium”, disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan, após reunião com Mercadante. A proposta original era aumentar a mistura em 27,5%.

Estoques. A Unica garante que tem estoques suficientes de etanol para garantir a demanda até o início da safra, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade. “Os estoques atuais desta entressafra (de janeiro a abril) estão 25,6% maiores que no mesmo período do ano passado.”

De acordo com Plinio Nastari, da consultoria Datagro, se aprovada a elevação da mistura, será criada uma demanda extra de 860 milhões de litros de etanol anidro por ano. “No ano passado, o governo importou cerca de 2 bilhões de litros de gasolina. O benefício vai ser imediato. A importação de gasolina poderá ser reduzido em quase 1 bilhão de litros”, disse.

Os preços do etanol hidratado (usado direto como combustível) começaram a reagir nas bombas desde que o governo federal anunciou a retomada da Cide. O preço do combustível pelas usinas atingiu na semana encerrada dia 30 de janeiro R$ 1,3872 (São Paulo), alta de 2% sobre a semana anterior. No acumulado do ano, a valorização é de 8,3%, segundo levantamento semanal do Cepea/Esalq. 

De acordo com Rodrigues, da Unica, o aumento dos preços do etanol nas bombas refletiu as notícias do aumento da gasolina em R$ 0,22. Abastecer com etanol é mais competitivo quando seus preços ficam em até 70% do valor da gasolina.

O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que as atuais medidas ajudam o setor no curto prazo, mas é preciso definir qual será o papel do etanol na matriz energética do País. Rodrigues, que presidia o conselho da Unica, deve anunciar hoje sua saída da entidade. 
O setor sucroalcooleiro vive uma das piores crises de sua história, marcada pelo fechamento de cerca de 60 usinas e demissão de funcionários de toda a cadeia do setor, incluindo as indústrias de base, sobretudo as de Sertãozinho (interior de São Paulo), que concentra boa parte dessas empresas. 

(Reportagem de Mônica Scaramuzzo, Gustavo Porto, Nivaldo Souza e Rafael Moraes Moura)

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