Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Mitsubishi admite manipulação de dados sobre eficiência de consumo em veículos

Ao menos 625 mil veículos foram afetados, inclusive dois modelos que utilizam a marca da Nissan; companhias negociam compensação

Dow Jones Newswires

20 de abril de 2016 | 13h04

TÓQUIO - A Mitsubishi Motors anunciou hoje que funcionários da companhia manipularam dados de eficiência do consumo de ao menos 625 mil veículos de quatro modelos compactos vendidos no Japão, incluindo dois que utilizavam a marca da Nissan.

Executivos da companhia disseram que a economia dos carros era de 5% a 10% menor do que o estimado anteriormente. Segundo eles, o problema foi descoberto após a Nissan notar discrepâncias em dados usados para calcular a eficiência dos motores. As duas companhias negociam uma compensação.

O anúncio fez as ações da montadora despencarem 15% na bolsa de Tóquio.

"Pedimos sinceras desculpas a todos os clientes e acionistas por esse problema", disse a Mitsubishi em comunicado nesta quarta-feira.

Em uma coletiva de imprensa feita hoje, o presidente da companhia, Tetsuro Aikawa, afirmou estar "envergonhado" pelo escândalo". Ele acrescentou que o incidente não deve afetar significativamente os lucros da empresa, que recentemente estavam em alta em meio à forte demanda global por veículos.

Separadamente, a montadora disse que violou leis japonesas sobre determinados testes de eficiência de combustível que vem utilizando desde 2002, mas que está investigando a extensão dos problemas.

Nos últimos anos, grandes fabricantes de automóveis vem sendo pegas fraudando dados de emissões de gases estufa e economia de combustível. Em 2014, as sul-coreanas Hyundai e Kia concordaram em pagar multas por superestimar a eficiência de consumo de veículos vendidos nos Estados Unidos. No ano passado, a Volkswagen se envolveu num escândalo de emissão de gases estufa de seus veículos a diesel nos EUA.

A Mitsubishi tem um histórico de escândalo envolvendo lapsos de qualidade e recalls. Em 200, a companhia admitiu ter escondido informações sobre defeitos em veículos por anos, um caso que acabou em prisão de antigos executivos. Após uma inspeção em 2012, o Ministério dos Transportes do Japão afirmou que a Mitsubishi relatou inadequadamente defeitos e atrasou o anúncio de recalls.

Desde então, a empresa criou um programa "clientes em primeiro lugar" e tem trabalhado para melhorar a qualidade de seus veículos através do treinamento de seus funcionários e a revisão de cronogramas de desenvolvimento de veículos.

Ryugo Nakao, o vice-presidente-executivo da montadora, disse que os últimos problemas mostram que a mudança ainda não foi suficiente. "Precisamos descobrir as causas desse problemas e mudar procedimentos dentro da companhia', afirmou.

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