Mitsubishi amplia produção no Brasil

Investimento. Fábrica da Mitsubishi em Catalão (GO), controlada pelo empresário Eduardo de Souza Ramos, em sociedade com o grupo BTG Pactual, vai investir R$ 800 milhões para dobrar a capacidade de produção e fabricar mais dois veículos no País

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

17 Março 2010 | 00h00

A Mitsubishi do Brasil vai promover a primeira grande ampliação da fábrica de Catalão (GO) desde sua inauguração, em 1998. O grupo liderado pelo empresário brasileiro Eduardo de Souza Ramos vai investir R$ 800 milhões até 2015 para dobrar a capacidade da linha de montagem e produzir dois novos veículos. O valor é quase o mesmo gasto nos últimos 12 anos, que somou R$ 800 milhões, sempre com recursos próprios.

O primeiro projeto é do utilitário-esportivo Pajero Dakar, hoje importado do Japão, e que será nacionalizado a partir do primeiro semestre de 2011. O modelo custa R$ 140 mil. O segundo, para o fim de 2012, é um automóvel da linha Lancer, provavelmente um sedã, marcando a entrada da empresa brasileira no segmento de carros de passeio. Até agora, a fábrica local atuou apenas no segmento de utilitários e picapes.

Souza Ramos informa que definirá o tipo do carro até o fim do ano. Antes, porém, iniciará a importação de modelos da linha Lancer e um deles será o escolhido. O novo carro deverá disputar mercado com os também japoneses Honda Civic e Toyota Corolla. Não está nos planos da Mitsubishi, por enquanto, produzir um carro compacto no Brasil.

"Já é um grande avanço entrar no segmento de carros de passeio e não nos sentimos ainda em condições de atuar no mercado de compactos, ainda que respondam por 50% das vendas", diz Souza Ramos. Segundo ele, a ambição da Mitsubishi do Brasil é de atingir participação de 2% do mercado brasileiro até 2015, quando se projeta um consumo total próximo a 5 milhões de veículos ao ano.

A área industrial em Catalão, que ocupa 97 mil m² de um terreno de 650 mil m², será ampliada em 30% e receberá outra linha de pintura e novos equipamentos, alguns importados do Japão. Cerca de mil funcionários serão contratados, ampliando o quadro atual para 4 mil pessoas, que vão trabalhar em um e dois turnos, dependendo da área. No ano passado, foram produzidas 36 mil unidades do Pajero TR4 e Sport e da picape L200. Para este ano, estão previstas 40 mil.

Mais produtos. Além dos dois novos veículos, a direção da Mitsubishi pode escolher mais dois produtos para serem produzidos localmente nos próximos cinco anos. "Temos várias opções, e uma delas pode ser o carro elétrico que já está em produção no Japão", diz Souza Ramos. Um exemplar do compacto iMiEV (sigla em inglês para Veículo Elétrico Inovador da Mitsubishi) está em teste no País. A produção, porém, dependerá do desenvolvimento de infraestrutura para esse tipo de carro.

Esta é a primeira vez, desde que formou a parceria com a Mitsubishi do Japão, que o grupo tem o direito de escolher os produtos que quer fabricar no País. "Antes, só pegávamos produtos no meio ou no fim (do ciclo de produção); agora, estamos pegando no início", diz.

A Mitsubishi do Brasil é a única no mundo que atua sem qualquer participação direta da matriz. O grupo japonês fornece peças e recebe royalties pelo uso da marca. Em 2006 e 2007, a companhia chegou a analisar uma participação acionária local, mas desistiu. O Brasil responde por 3% das vendas globais da marca.

Parceria. No início do mês, a Mitsubishi anunciou parceria com o banco de investimentos BTG Pactual, que passou a ser sócio minoritário da montadora. Souza Ramos não divulga valores e porcentual de ações nem a participação do banco no novo investimento. A intenção é usar recursos próprios, sem participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Desde o início das operações da fábrica, a Mitsubishi do Brasil teve resultados positivos, informa Souza Ramos. Também registrava sucessivos aumentos de venda, ciclo interrompido no ano passado, quando teve queda de 14% em relação a 2008. A marca, que tradicionalmente ocupou a 10ª posição no ranking de fabricantes, caiu para o 12º lugar, atrás até da coreana Hyundai.

No ramo de veículos desde os 22 anos, quando foi trabalhar como vendedor na concessionária do pai, Souza Ramos, hoje aos 63 anos, preside o conselho da Mitsubishi, que passa a ser formado por cinco membros. Além dele, estão a filha Cristiana e dois executivos do BTG. Um quinto membro será indicado por ele.

Em abril, a empresa passará a ser presidida por Robert Rittscher, atual diretor comercial. Ele substituirá Paulo Ferraz, que detinha 12% das ações e as vendeu para Souza Ramos.

FICHA TÉCNICA

Investimento na ampliação da fábrica de Catalão será de R$ 800 milhões

Área atual 97 mil m2

Área do terreno 650 mil m2

Produção (2009) 36 mil carros

Produção (2010)

previsão 40 mil carros

Funcionários

(após ampliação) 4 mil

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