MME reduz estimativa de novas hidrelétricas até 2021

O governo reduziu o número de novas hidrelétricas que espera serem viabilizadas até 2021, mas elevou em mais de 1.000 a potência adicional prevista. Na versão preliminar do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2011 - 2021, colocada nesta segunda-feira (24) em consulta pública, aparecem apenas 19 hidrelétricas, número inferior à 24 listadas no PDE 2010-2020. E além do número menor, a composição da lista também mudou, apenas 10 nomes se repetem.

LUCIANA COLLET, Agencia Estado

24 de setembro de 2012 | 20h29

O Ministério de Minas e Energia (MME) tirou da lista algumas das usinas do Complexo Tapajós, particularmente aquelas a serem construídas no rio Jamanxim. Também optou por excluir diversas das usinas previstas para serem construídas no Rio Parnaíba - algumas delas de baixa potência (inferior a 100 MW) e já ofertadas em leilões governamentais e para as quais não houve interessados. Por outro lado, incluiu, para viabilidade em 2021, duas grandes usinas do Complexo do Rio Juruena: a usina São Simão Alto e a Salto Augusto Baixo, que juntas terão quase 5 mil MW de capacidade.

Com a implantação dessas usinas, e de outras já licitadas, como Belo Monte, a capacidade de geração hidráulica aumentará de 84 GW para 117 GW, de 2012 até 2021. O MME não considerou, no horizonte de estudo, projetos de geração com concessão já outorgada no passado, como as usinas hidrelétricas Couto Magalhães (150 MW), Pai Querê (292 MW), Santa Isabel (1.087 MW) e Itaocara I (145 MW) - modificando um pouco as sinalizações dadas no ano passado, quando os dois primeiros projetos foram considerados "a serem viabilizados". Agora o Ministério avalia que todas essas usinas "apresentam problemas específicos a serem resolvidos para andamento da obra".

Térmicas

Por outro lado, o MME voltou a prever a expansão da geração termelétrica, sinalizando a entrada de usinas a gás natural no último ano do estudo que somam 700 MW distribuídos entre as regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul. O MME afirma que a expectativa de custos mais baixos deste combustível, associada ao potencial estimado para o combustível o levou a projetar a expansão, mas destacou que "a concretização desta expansão termelétrica está atrelada à disponibilidade e competitividade dos projetos de gás natural nos futuros leilões para compra de energia nova", sinalizando que não trabalha com a possibilidade de realização de leilões por fontes, como defendem alguns agentes.

De acordo com o documento, os investimentos previstos para ampliar a oferta de energia elétrica no País até 2021 devem somar R$ 213 bilhões. Na área de transmissão, a estimativa de investimentos para o período é de R$ 56 bilhões. Já o setor de petróleo e gás deve receber R$ 749 bilhões em investimentos ao longo do horizonte de 10 anos previstos no PDE, ou R$ 63 bilhões acima do estimado no documento anterior. A expectativa do MME é de que haja um crescimento médio anual de 9,8% na produção de petróleo bruto e de 8,4% na oferta a partir de unidades de Processamento de Gás Natural (UPGN).

Consumo

Mas enquanto se estima um aumento médio de 3,2% na demanda por derivados de petróleo, que levará a um excedente de produção na cadeia de petróleo brasileira, no caso do gás, a estimativa é de expansão média de 8,1% no consumo total de gás nos próximos dez anos, com destaque para o expressivo aumento do consumo de gás natural como matéria-prima para fabricação de fertilizantes e produção de hidrogênio em refinarias de petróleo.

No segmento de biocombustíveis, a projeção de investimentos soma R$ 79 bilhões, inferior aos R$ 97 bilhões previstos para o período 2010-2020. "No horizonte decenal, a perspectiva é de restrição da oferta de etanol nos próximos anos, com recuperação somente no médio prazo", diz o documento, lembrando que a redução foi motivada principalmente pela crise internacional de 2008, que proporcionou uma queda nos investimentos em toda a cadeia do setor sucroenergético.

Já no caso do biodiesel, o MME destacou a perspectiva de diversificação do mix no final do decênio. "Dendê, mamona e algodão, dentre outras culturas, complementarão a cesta de insumos para produção de biodiesel, sem, no entanto, alterar significativamente as porcentagens do mix atual", destacou. A versão preliminar do PDE ficará em consulta pública até o dia 31 de outubro de 2012.

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