MMX, de Eike Batista, pede recuperação judicial em BH

Empresa tentou vender ativos para evitar a medida, mas a queda do preço do minério de ferro e embargos ambientais tornaram a decisão inadiável

O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 16h15

Os advogados da MMX Sudeste Mineração, empresa controlada pela MMX Mineração e Metálicos, entregaram nesta quinta-feira, 16, o pedido de recuperação judicial na comarca de Belo Horizonte, informou uma fonte próxima ao grupo. O Broadcast antecipou na quarta que o pedido seria feito hoje pela subsidiária, sob a qual fica a Unidade de Serra Azul (MG), onde estão as minas Tico-Tico e Ipê. O caso foi distribuído para a 1º Vara Empresarial de Belo Horizonte, que tem como juiz titular Ronaldo Claret de Moraes.

A mineradora será a terceira empresa do antigo império X a pedir proteção para reorganizar seu passivo, seguindo os passos da petroleira OGX e do estaleiro OSX. A companhia tentou costurar a venda de ativos para evitar a medida, mas a queda do preço do minério de ferro e os embargos ambientais tornaram a decisão inadiável.

A dívida sujeita à recuperação é de R$ 370 milhões, o que inclui serviços já executados por fornecedores. Em uma segunda etapa, as demais subsidiárias da holding MMX (MMX Corumbá e Porto do Sudeste) também poderão pedir a recuperação judicial.

A MMX Mineração Metálicos S.A., controlada por Eike e que engloba todos os ativos do grupo, fica de fora, assim como uma parte da dívida, ainda em discussão. Ao final do primeiro trimestre, a holding tinha dívida de R$ 966 milhões, dos quais R$ 718 milhões com fornecedores.

Demissões. A situação levou a MMX a demitir nos últimos dias 200 dos 420 trabalhadores do setor operacional do complexo de minas de Serra Azul, de acordo com o sindicato Metabase de Brumadinho (MG). Ao todo, são 550 funcionários na unidade, considerando o pessoal ligado à manutenção e setor administrativo. A MMX não comenta os cortes.

A unidade de produção de minério de ferro está com suas atividades suspensas desde setembro. Na segunda-feira, a MMX informou que manterá a paralisação por tempo indeterminado “a fim de otimizar recursos e adequar custos”. 

Os problemas operacionais da MMX começaram em fevereiro, quando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) embargou a mina Tico-Tico, uma das unidades do projeto Serra Azul. O órgão alega que a mineração no local tem danificado cavernas de relevância ambiental da área. 

A empresa esperava reverter o embargo e voltar a operar em Serra Azul no início do mês. No entanto, a Semad só dará o sinal verde à operação depois que estudos para adequação da área de proteção forem analisados. A MMX entregou a documentação na semana passada, mas a secretaria pediu mais informações. 

(Mônica Ciarelli, Mariana Durão, Mariana Sallowicz e Eulina Oliveira)

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