MMX tenta vender ativos para não pedir recuperação

Mineradora de Eike Batista negocia venda de minério de ferro em estoque e procura comprador para minas e fatia do Porto Sudeste

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2014 | 02h06

Com dívidas em atraso e problemas de caixa, a MMX, mineradora de Eike Batista, negocia a venda do estoque de 300 mil toneladas de minério de ferro, ao mesmo tempo em que continua à procura de interessados em arrendar ou comprar outros de seus ativos, apurou o 'Broadcast', serviço de notícias em tempo real da 'Agência Estado'.

A estratégia é buscar as alternativas para evitar um pedido de recuperação judicial, mecanismo já utilizado por outras empresas de Eike: a petroleira Óleo e Gás Participações (OGPar, antiga OGX) e a companhia de construção naval OSX. O pedido de recuperação judicial é visto como uma possibilidade, ainda que a prioridade seja levantar os recursos e evitar recorrer ao mecanismo.

Ontem, a empresa anunciou que vai paralisar temporariamente a produção de minério de ferro e aumentou a desconfiança dos investidores. A percepção do mercado é de que a empresa não conseguirá postergar por muito tempo o pedido de recuperação judicial. As ações da mineradora lideraram as perdas do Ibovespa ontem, com queda de 8,49%.

Sem escala, a empresa vive um momento "tenso", disse uma das fontes. Além das dívidas, o preço do minério de ferro está em queda. Anteontem, o preço da commodity no mercado à vista na China caiu para US$ 93 a tonelada - menor valor dos últimos dois meses. A companhia encerrou o primeiro trimestre do ano com dívidas de R$ 966 milhões, sendo R$ 718 milhões com fornecedores.

Cardápio. Entre os ativos que a mineradora tem para oferecer estão as suas minas Tico-Tico e Ipê, em Serra Azul (MG), com capacidade instalada para produzir anualmente aproximadamente 6 milhões de toneladas de minério de ferro. A empresa possui ainda 35% de participação no Porto Sudeste, localizado em Itaguaí (RJ) - em fevereiro, ela vendeu uma fatia de 65% para o consórcio Trafigura/Mubadala. Por último, tem direitos minerários da unidade de Bom Sucesso (MG).

A informação sobre o estoque foi confirmada pela MMX. A empresa deverá vender o produto para o mercado externo, provavelmente China ou outros mercados asiáticos, apurou o Estado. No primeiro trimestre, a mineradora não exportou porque os contratos para embarques por meio do terminal CPBS, em Itaguaí (RJ), só eram válidos a partir de abril. Entre aquele mês e agosto, a MMX fez seis embarques, num total de cerca de 1 milhão de toneladas de minério de ferro, sendo a maior parte escoada para o mercado asiático.

Já o sistema Corumbá, em Mato Grosso do Sul, já foi arrendado, em julho, pela Vetria Mineração, em meio a ações para dar fôlego à companhia. A MMX receberá anualmente US$ 500 mil, a serem pagos em 12 parcelas a partir do quarto mês de celebração do contrato. Esse dinheiro deve aliviar o caixa da empresa a partir de novembro.

Cortes. Enquanto as negociações ocorrem, a MMX está reduzindo custos, paralisando produção e revendo a sua estrutura. A empresa anunciou em comunicado, ontem, que planeja apresentar novo modelo de negócios junto com a divulgação dos resultados do segundo trimestre, em 15 de outubro.

A companhia concederá férias coletivas a seus colaboradores envolvidos diretamente na operação da sua unidade de Serra Azul. A parada começa na primeira semana de setembro. A ação deve atingir em torno de 400 funcionários, de um total de 550 trabalhadores naquela operação. Seguem em atividade os colaboradores envolvidos nos setores responsáveis pela manutenção e conservação da unidade e o pessoal do quadro administrativo. Haverá, dessa forma, economia com custos operacionais, como energia, além de transporte e alimentação dos funcionários.

A empresa diz ter tomado a decisão por causa da "prolongada e acentuada retração dos preços do minério de ferro no mercado internacional" e por restrições operacionais impostas pelo órgão ambiental do Estado de Minas Gerais. Na terça-feira, em meio a rumores de que o pedido de recuperação judicial sairá até o final do mês, a empresa negou a informação.

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