Modelo de baixo custo na academia de ginástica

Rede Bio Ritmo, conhecida pelos mimos que dá aos clientes, cria a Smart Fit, de preços modestos, para acelerar sua expansão

Melina Costa, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

Poucos setores são tão pulverizados quanto o das academias de ginástica. São cerca de 18 mil empresas no Brasil - muitas de bairro e informais -, que dividem um faturamento total de R$ 2,5 bilhões. Grande parte das empresas que se tornaram redes e hoje ocupam a liderança apoia-se em variações da mesma estratégia: a sofisticação do serviço oferecido. Assim surgiram as aulas de lambaeróbica, o personal trainer e mimos como um avatar que simula, no computador, o efeito emagrecedor dos exercícios. A popularização - fenômeno que atingiu as líderes de vários setores da economia com a ascensão da classe C - só começou agora.

O grupo paulista Bio Ritmo, dono de 22 academias do mesmo nome e da tecnologia do avatar em questão abriu, em pouco mais de um ano, 12 unidades da Smart Fit, sua marca de baixo custo.

Um aluno da Bio Ritmo paga mensalidades entre R$ 120 e R$ 380 e pode fazer 30 tipos de aulas. Por valores entre R$ 49 e R$ 99, o cliente da Smart Fit só tem acesso a esteiras, bicicletas ergométricas e equipamentos de musculação. "Percebemos que 60% dos alunos Bio Ritmo só fazem esteira e musculação", diz Edgard Corona, fundador e presidente do grupo Bio Ritmo. "Para esse público, e para atrair a classe C, criamos um modelo que segue a filosofia Southwest (referindo-se à companhia aérea americana de baixo custo)." O novo negócio agradou a gestora de recursos Pátria, que adquiriu, no fim do ano passado, 50% do capital do grupo Bio Ritmo.

Para cobrar menos, Corona simplificou ao máximo a operação da Smart Fit. As matrículas podem ser feitas pela internet. O número de instrutores é a metade na comparação com as academias da marca Bio Ritmo e os mimos - do avatar aos professores que ligam para cobrar alunos faltantes - ficaram de fora.

Assim como o serviço, o resultado financeiro da rede Smart Fit é mais modesto. A margem de lucro da cadeia equivale a um terço daquela atingida pelas academias Bio Ritmo. É o número de unidades que terá de compensar essa diferença - até agora, o grupo de academias de baixo custo não é lucrativo.

A estratégia para entrar no azul consiste na concentração de várias unidades em uma mesma região - o que tem se provado o maior desafio de Corona. A dificuldade está em encontrar imóveis. Os pontos precisam estar localizados perto da classe C e o preço do aluguel tem de permitir as mensalidades reduzidas. "Estamos disputando imóveis com a Casas Bahia e os supermercados. Todo mundo quer ficar perto desse público e os preços explodiram", diz Corona.

Nesse cenário, o empresário já diminuiu a previsão de abertura de unidades da Smart Fit de dez para cinco em 2011 e ainda testa o valor ideal de mensalidade para fechar a conta. A previsão é que a rede de baixo custo atinja o lucro em 2013.

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