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Modelo de venda da Celg será revisto

Para Moreira Franco, secretário executivo do PPI, fracasso no leilão não coloca em risco o plano de desestatização do governo Michel Temer

Anne Warth, Adriana Fernandes, Idiana Tomazelli, Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 23h31

BRASÍLIA - O fracasso no leilão da Celg não coloca em risco o projeto de desestatização do governo federal disse o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco. “Vamos fazer mudanças. Esse (leilão da Celg) é o resto do governo anterior”, afirmou.

Segundo Franco, a licitação da distribuidora será remarcada e o modelo será revisto pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo BNDES. Até o fim deste mês, o governo deve apresentar uma lista de empresas a serem desestatizadas, disse o secretário.

O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, atribuiu à má avaliação do ativo a ausência de interessados e previu para o “menor prazo possível” a reabertura da licitação. “Temos muita confiança de que processo será exitoso após uma reavaliação”, disse. Segundo ele, o governo insistiu na realização do certame “para ter a justificativa para a reavaliação”.

O secretário executivo do MME, Paulo Pedrosa, explicou que vai rever todo o processo de venda de controle da empresa. A principal preocupação é com a necessidade de investimentos da Celg, que é muito elevada, num momento em que nem a Eletrobrás nem o governo goiano, donos da empresa, possuem caixa para realizá-los.

“A combinação de preço e risco não estava adequada para a Celg. Vamos atuar nas duas vertentes”, afirmou. “Se nossa visão é de respeito ao mercado, temos de receber com humildade esse resultado, entender que o processo não estava interessante para os investidores e voltar para a prancheta.”

A secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, reiterou ter confiança na empresa. “Vamos sentar e redefinir as condições do leilão”, disse a secretária. Na avaliação dela, além do preço alto, o momento político, às vésperas do impeachment, não contribuiu para a privatização da empresa.

Esperança. Nos bastidores, integrantes do governo admitiram que o resultado era esperado. O preço mínimo da empresa, de R$ 2,8 bilhões, já havia sido considerado muito elevado pelo mercado e pelos potenciais interessados. Ainda assim, havia uma esperança de que os investidores depositassem as garantias na última hora, o que acabou não acontecendo. Na segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, ainda mantinha um discurso otimista sobre o leilão.

Para a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), é preciso esperar um momento econômico mais favorável para a venda. “A Celg demanda um alto nível de investimentos, que eu acho que é o que mais assusta, pois isso precisa ser feito num cenário de redução de crédito, em que os bancos não querem fazer financiamentos.” 

3 Perguntas para Nivalde Castro, professor da UFRJ

1. Por que ninguém apresentou proposta pela Celg?

Por causa do preço mínimo. O alvo desse valor era a State Grid. A empresa chinesa normalmente paga caro para entrar em mercados para aumentar sua participação numa área. O problema é que a companhia acabou de comprar a CPFL (e ainda vai fazer oferta pelas ações dos demais acionistas). Para os demais interessados, o preço estava alto demais. A possibilidade de ganho do investimento, mais o que precisava pôr para organizar a empresa, não era suficiente para o retorno desejado.

2. Foi uma derrota para o governo?

Não considero um fracasso. Foi um preço calculado de uma maneira errada, que veio lá de trás, ainda do governo Dilma (Rousseff). Agora é só fazer os ajustes necessários. Isso obriga o governo e a Eletrobrás a calibrar, a ter uma visão melhor do mercado e por um preço mais justo.

3. É um ativo bom?

Sim. É um mercado que cresce muito e o nível de renda é melhor. Não tem perda não técnica (roubo) alta. 

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