Modelo econômico de FHC está esgotado, diz Piva

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de SãoPaulo (Fiesp), Horacio Lafer Piva, afirmou hoje que nos últimos oito anos houve avanços do governo Fernando Henrique Cardoso mas que o setor produtivo "pagou uma conta muito alta", com aumento do desemprego. Segundo ele, o modelo econômico atual está esgotado. Questionado se o setor produtivo é um carro que foi tendo as peças arrancadas nos últimos anos, Piva respondeu: "Alguns carros foram totalmente destruídos, outros tiveram partes arrancadas. Mas os que sobreviveram estão em condições muito melhores para rodar". Segundo ele, o governo de FHC deu prioridade para o setor financeiro. "O tema da política industrial foi tratado como religioso, ninguém quis mexer. Parecia que o empresário queria bater a carteira do governo, quando não é nada disso. Precisamos de mais políticas públicas, de parcerias nos segmentos em que háineficiência sistêmicas ou falta de competitividade em relação aos competidores externos", afirmou.Para ele, o investimento precisa voltar para a indústria crescer e, com isso, aumentar o emprego. "Precisamos da volta do investimento, de mais consumo de bens duráveis, de bens de capital, de bens não-duráveis. Para isso, precisamos de mais renda", disse. Piva afirmou que a situação atual da indústria "não é nada boa" e que tem "ganhado dimensões mais profundas nos últimos tempos", com queda da demanda que provoca menor ritmo de atividade e demissões.InstabilidadeDois terços das indústrias instaladas no estado de São Pauloenfrentam dificuldades econômicas causadas pela atual instabilidade na economia brasileira, segundo demonstra pesquisa de opinião encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao Vox Populi, feita em 405 empresas, de todos os portes, entre os dias 2 e 4 deste mês, e divulgada hoje. De acordo com a pesquisa, 65% das empresas entrevistadas estão adiando ou cortando investimentos devido ao atual cenário econômico. Por tamanho, as empresas que mais passam por problemas são as de pequeno e médio porte. Nos dois segmentos, de cada 100 empresas 69 declararam passar por um período difícil. Entre as de grande porte, a proporção cai para 53%. De acordo com o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, o número de empresas que não passam por um bom momento está elevado e isso é preocupante. "Tenho sempre afirmado que o investimento é a melhor forma de crescer sem pressão inflacionária", afirmou. "A decisão de suspender investimentos é de todo o setor", completou. Entre as microempresas, 69% decidiram não investir no momento; entre as grandes o percentual cai para 66%; e entre as pequenas e médias 64%.De acordo com a pesquisa Vox Populi, a queda na demanda é o principal problema enfrentado pelos 67% de empresas que passam por dificuldades. Dessas, metade respondeu que a demanda caiu. "Isso mostra a diminuição de renda, massa salarial baixa, desemprego grande e custo alto dos juros", analisou Piva. Outro problema é a dificuldade de obtenção de crédito, citado por 14% das empresas.DólarA maioria (72%) dos empresários ligados à Fiesp acredita que a taxa de câmbio chegará no final do ano entre R$ 2,80 e R$ 3,20, segundo revela a pesquisa do Vox Populi com 405 empresas de todos os portes entre 2 e 4 deste mês. Do total, 43% acreditam que a taxa ficará entre R$ 2,80 e R$ 3,00 e 29%, entre R$ 3,00 e R$ 3,20. Outros 12% acham que a cotação em final de dezembro será entre R$ 3,20 e R$ 3,50 e 10% avaliam que será abaixo de R$ 2,80 (3% não responderam). Segundo avaliação da diretora de pesquisas e estudos econômicos da entidade, Clarice Messer, a avaliação dos empresários é fortemente influenciada pelas eleições. "É o prêmio de risco político. Passada a eleição, o prêmio de indefinição desaparece", analisou.

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