Modelo exportador ameaça emergentes, segundo BIS

Com vendas externas ruins e mercado doméstico fraco, recuperação pode demorar

BASILEIA, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

Os xerifes das finanças internacionais alertam que os mercados emergentes terão de abandonar o modelo de crescimento dos últimos anos e deixar de depender das exportações para garantir um crescimento sustentável no futuro. Durante os anos de forte expansão entre 2003 e 2007, os emergentes teriam ?plantado as sementes? do que seriam hoje suas próprias recessões. Agora, uma recuperação corre o risco de ser adiada. O alerta é do BIS, que aponta que o crescimento dos últimos anos nos emergentes ocorreu graças ao capital externo e exportações. O problema é que esse modelo agora apresenta limites e os mercados domésticos ainda não são sólidos o suficiente para compensar. Para a entidade, portanto, a volta do crescimento para os emergentes ainda é ?altamente incerta?. Para o BIS, os mercados domésticos dos países emergentes não serão suficientes para que essas economias se recuperem. O governo brasileiro aposta exatamente no mercado interno para permitir que o País supere a recessão ainda em 2009."Já temos algumas economias, como o Brasil, mostrando sinais de recuperação mais claros e sinais de resistência à crise", insistiu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles O BIS tem uma avaliação mais sombria e considera que há um risco significativo de que a recuperação dos mercados emergentes seja adiado. Segundo a entidade, os emergentes mostraram certa resistência no início da crise. Mas o grau de integração com o sistema financeiro internacional que gerou o crescimento desses mercados foi também o que gerou a crise. "Diante do fato de que a crise está associada com uma contração sem precedentes da economia global, é extremamente incerto dizer quando e até que ponto os fluxos de capitais aos países emergentes vão se recuperar", alerta o banco. O que o BIS não diz é que essa dependência foi gerada por recomendações das próprias entidades financeiras internacionais nos anos 90. Com a crise, os recursos externos secaram. Os emergentes perderam o equivalente a 1% de seus PIBs apenas com a retração das linhas descrédito no último trimestre de 2008. A queda foi de US$ 205 bilhões. O Brasil foi um dos mais afetados. No primeiro trimestre de 2009, a queda nas linhas de crédito para as exportações latino-americanas foi de 60%. O banco alerta que, com uma crise nos Estados Unidos, Japão e Europa, a dependência dos emergentes no mercado externo pode gerar um atraso na recuperação. O BIS adverte que o período de crescimento por meio de exportações chegou ao fim.

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