Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Modelo mais caro ainda é o preferido dos consumidores

Segundo cálculos de consultoria, de cada cinco novos iPhones vendidos no mundo, apenas um é a versão 5C

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h13

Faz pouco mais de um mês desde que o iPhone 5C foi lançado, mas já se acumulam dúvidas quanto à sabedoria da nova estratégia da Apple, que pela primeira vez apresentou dois modelos de smartphone em vez de apenas um.

A Apple divulgou que já vendeu 9 milhões dos novos modelos, mas não disse qual a fatia de cada um. Cálculos da consultoria norte-americana Localytics, porém, sugerem que a grande maioria dessas unidades são de iPhones 5S, o modelo mais caro.

A Localytics se baseou em dados de downloads de aplicativos de um bilhão de aparelhos para concluir que o 5S está "ganhando" do 5C numa proporção de três smartphones para um nos EUA. No resto do mundo, a vantagem do telefone principal é ainda maior: 5 aparelhos para 1 (ou 72% e 28%).

Enquanto isso, o The Wall Street Journal reportou que a Apple teria informado a seu fornecedor Pegatron, de Taiwan, que precisaria reduzir encomendas do iPhone 5C em cerca de 20%.

A mesma reportagem diz ainda que o recado a outra fornecedora, a Foxconn, também de Taiwan, teria sido um pouco mais dramático: os pedidos seriam cortados em um terço.

Nada de novo. Um problema seria a ausência de novidades do aparelho. Usuários da Apple esperam recursos inéditos e de ponta, e o 5C é basicamente um iPhone 5 com algumas melhorias (ver teste do 5C acima).

Nos Estados Unidos, há que se levar em conta que o iPhone 5S não é tão inacessível, custando entre US$ 199 e US$ 399, com plano de operadora.

Enquanto isso, o 5C, que começou com um preço de US$ 99, já está sendo vendido em varejistas como Walmart e Best Buy por aproximadamente US$ 50 (com plano de operadora), outro indicativo de que tem havido pouca saída do aparelho.

Seu preço desbloqueado no mercado norte-americano fica entre US$ 549 e US$ 649 (modelos de 16 GB e 32 GB, respectivamente). Foi com base nesses valores que se estimou seu preço no Brasil.

Rejeição na China. Para os chamados mercados emergentes, para onde o telefone teria sido supostamente pensado, a realidade de preços é bem diferente. Na China, que pela primeira vez foi incluída no grupo inicial de lançamento da Apple, o preço ficou entre RS 1.600 e R$ 1.900, o que é mais que o salário mensal médio.

Pouco tempo depois, foi noticiado que um dos maiores varejistas do país, a Tmall, estava reduzindo o preço da versão de 16 GB do 5C para cerca de R$ 300.

Faz sentido quando se observa que a pesquisa da Localytics mostrou que é na China onde está o maior índice de rejeição ao 5C dentre todos os países pesquisados. Lá, o 5S é o preferido de 91% dos usuários.

Ainda é cedo para decretar o fiasco do iPhone 5C, mas este é certamente o primeiro celular da Apple com um futuro incerto.

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