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Moderfrota deve ter déficit de R$ 3 bi ao fim da safra

A Anfavea, associação das montadoras, estima que faltarão R$ 3 bilhões para atender a todos os produtores interessados em aderir ao programa

Broadcast Agro, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2018 | 05h00

A demanda aquecida por financiamento de máquinas agrícolas fará os recursos do Moderfrota, linha com dinheiro do BNDES, se esgotarem antes do término da safra 2018/2019, em junho do ano que vem. A Anfavea, associação das montadoras, estima que faltarão R$ 3 bilhões para atender a todos os produtores interessados. Os R$ 8,9 bilhões destinados ao programa pelo governo federal devem chegar ao fim em março. Desde julho, início do atual ano-safra, até outubro, R$ 4,1 bilhões foram desembolsados, sobrando R$ 4,5 bilhões para os próximos oito meses da temporada. A Anfavea lembra que os recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, bastante utilizados por produtores para maquinário, já foram consumidos, e o montante do Banco do Brasil para o Moderfrota está prestes a acabar. “O número de R$ 3 bilhões (de déficit) é bem conservador, considerando o apoio do setor agrícola ao presidente eleito e à nova ministra da Agricultura. Devemos ver mais confiança dos produtores para investir”, diz Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea para máquinas agrícolas e rodoviárias. 

Toc-toc. Em janeiro, a Anfavea deve levar à futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (foto), pedido de novo aporte ao Moderfrota. Não fosse a mudança de governo, esse pleito já estaria sobre a mesa, diz Miguel Neto. Uma solução, adotada em safras anteriores, seria remanejar dinheiro de linhas menos procuradas. “Imaginamos que o governo vai apoiar o setor agrícola, por sua relevância para a economia. Acredito que haverá suplementação do Moderfrota”, afirma.

Despacito. Na pauta da indústria também está o futuro do Moderfrota, já que a equipe de Bolsonaro considera a possibilidade de encolher o BNDES. Uma eventual redução do bolo para o programa poderia ser compensada por maiores investimentos em logística e infraestrutura, que reduziriam o “custo Brasil” e a despesa para produzir. Mas isso leva tempo, pondera Miguel Neto. “O ideal é manter o Moderfrota até que o custo Brasil caia. Outra opção é fazer isso ao mesmo tempo em que se incentiva a intensificação do uso de tecnologia, garantindo que tenhamos aqui o que é usado nos Estados Unidos.”

Deixa ficar. Entidades associadas ao Instituto Pensar Agro (IPA) se mobilizam para pedir à futura ministra a permanência dos secretários de Defesa Agropecuária, Luiz Rangel, e de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Ribeiro e Silva, além de outros do quadro técnico.

Quase unanimidade. Funcionários de carreira, os secretários foram nomeados pela ex-ministra Kátia Abreu. Ganharam confiança do atual titular da pasta, Blairo Maggi, que a sucedeu, e, mantidos nos cargos, foram considerados essenciais nas crises do setor de proteína animal após a primeira etapa da Operação Carne Fraca, em março de 2017.

Vem ver. Spencer Dale, economista-chefe do grupo BP, do setor de energia, visitará o Brasil este mês para, entre outras pautas, conhecer detalhes do Renovabio, a política de biocombustíveis. A empresa tem atuação prioritária no setor de petróleo, mas foi uma das primeiras a investir em biocombustíveis e tem três usinas de etanol, duas em Goiás, em Edeia e Itumbiara, e uma em Ituiutaba (MG).

Cresce. A APPS, associação de produtores de sementes, espera aumento das vendas para a safrinha de milho 2019. Cássio Camargo, diretor executivo da APPS, prevê que 13,5 milhões a 14 milhões de sacas de 60 quilos sejam negociadas, volume 14% a 18% maior que o da safrinha deste ano. Enquanto na temporada 2017/2018 60% da procura foi por semente de alta tecnologia, em 2018/2019 o porcentual deve subir a 70%. “A rentabilidade do agricultor cresceu muito. Poucas vezes vimos uma janela de plantio tão boa para a safrinha como agora.” 

Corda bamba. A situação conturbada do Frigorífico Mondelli, que deve ser leiloado, após ter decretado falência, não afeta as operações nem o ânimo dos funcionários. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região diz que a unidade, localizada no município e com capacidade de abater 702 cabeças por dia, funciona normalmente e que empregados não temem mudanças nas condições de trabalho após a venda. A empresa tem entre 650 e 700 funcionários diretos e de 100 a 150 indiretos. 

Pé no freio. A indústria do trigo paulista culpa a guerra fiscal e o consumo retraído pela dificuldade de aumentar o processamento do cereal em 2019. “Nesse ano já tivemos um volume reduzido de moagem, por causa da diferença de ICMS cobrado nos Estados”, diz Christian Saigh, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado. Segundo ele, os moinhos só devem expandir a produção quando a economia começar a se recuperar. 

 

COLABORARAM ISADORA DUARTE e NAYARA FIGUEIREDO

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