JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Modicidade tarifária do setor elétrico está comprometida, aponta relatório do TCU

Levantamento mostra que 79% das hidrelétricas estão com obras atrasadas, com atraso médio de oito meses; nas termoelétricas, 75% dos empreendimentos não estão com cronograma em dia

Eduardo Rodrigues e André Borges, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 16h02

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou nesta quarta-feira, 29, o relatório sistêmico sobre o setor de energia elétrica no País (Fisc Energia), que conclui que a modicidade tarifária no serviço está comprometida. 

Segundo os cálculos do órgão de controle, o "realismo tarifário" do governo elevou o preço médio da eletricidade no País de R$ 276 por megawatt-hora (MWh) em 2014 para R$ 403,04 por MWh no primeiro trimestre de 2015. Em 2012, antes do pacote de renovação das concessões lançado pelo governo com a promessa de redução estrutural das tarifas, o preço médio do MWh foi de R$ 292,85. 

"Aumentos tarifários, instabilidade entre agentes do mercado e até desligamentos indesejados têm ligação com conclusões passadas do TCU que identificaram deficiências na gestão do setor", afirmou o ministro relator do documento, Vital do Rêgo.

Citando a alta dependência do setor a períodos de hidrologia favorável, o TCU destacou que o esgotamento dos reservatórios das hidrelétricas é acelerado, mesmo com amplo despacho das usinas térmicas. "O sistema está muito vulnerável a períodos curtos de hidrologia desfavorável", completou.

O Fisc Energia aponta os atrasos nas obras dos empreendimentos de geração e transmissão como um principais problemas estruturais do setor elétrico. O levantamento do TCU mostra que 79% das hidrelétricas estão com obras atrasadas, com atraso médio de oito meses. No caso das termelétricas, há atrasos em 75% dos empreendimentos, de 11 meses na média. Já para as linhas de transmissão, os cronogramas não estão sendo cumpridos em 83% dos projetos, com atrasos de 14 meses na média.

Outros problemas estruturais apontados pelo TCU são a superavaliação das garantias físicas das usinas de geração, a falta de uma política de modernização dos equipamentos já instalados no parque gerador, o elevado índice de perdas de eletricidade no sistema e a construção de hidrelétricas apenas a fio d'água.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.