Moedas da Ásia caem com nova cobrança de IOF no Brasil

Medida levanta temores no continente de que mais países possam adotar controles de fluxo de capital

Reuters,

19 Novembro 2009 | 11h42

As moedas da Índia e da Indonésia foram pressionadas nesta quinta-feira, 19, pela decisão do Brasil de taxar as operações com recibos de ações brasileiras no exterior, com o objetivo de restringir a migração de investidores do mercado local depois da cobrança de IOF anunciada no mês passado. A medida levantou temores na Ásia de que mais países asiáticos possam adotar controles de fluxo de capital. Isso porque, com as economias ocidentais ainda saindo da recessão e os juros em recorde de baixa, os mercados emergentes, com crescimento mais forte, estão sendo inundados de recursos.

 

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O site do jornal Financial Times também chama atenção para o assunto nesta quinta-feira. A matéria do FT afirma que a medida adotada pelo Brasil espalhou o medo no mercado de que outros países também adotem medidas para controlar a cotação de suas moedas. Segundo a matéria, as divisas de mercados emergentes atingiram níveis que ameaçam minar os seus setores exportadores. "Até agora, a maioria das economias emergentes conseguiu contornar o problema intervindo no mercado cambial para reduzir a apreciação de suas moedas", destaca o jornal.

Nesta quinta, o presidente do banco central de Taiwan aproveitou a oportunidade para alimentar as dúvidas de especuladores sobre apostas em ganhos na moeda local, enquanto a Índia descartou a necessidade de uma ação imediata, mas ambos ressaltaram que estão observando de perto os fluxos de capital.

 

A Rússia também considera maneiras de controlar o fluxo de capital entre fronteiras, incluindo a possibilidade de cobrar um "imposto Tobin" sobre transações cambiais internacionais, informou nesta quinta-feira o primeiro vice-presidente do banco central, Alexei Ulyukayev. O imposto, cujo nome vem do economista James Tobin, incide sobre transações cambiais entre fronteiras e acaba penalizando a especulação cambial de curto prazo.

 

O país se junta a outras economias exportadoras de commodities como Brasil e Indonésia na tentativa de esfriar os ingressos de capital especulativo que podem impulsionar as moedas locais e reduzir a lucratividade de exportadores de matérias-primas mesmo com os preços de commodities subindo.

 

"Precisamos desenvolver uma maneira efetiva de controlar as transações entre fronteiras, algo similar ao imposto Tobin", disse Ulyukayev. A Rússia apenas colocaria em vigor tais medidas após extensas discussões, acrescentou ele, em conferência sobre o rubro, em Moscou.

Na Indonésia, a rúpia caiu cerca de 1%, para 9.510 ante o dólar, mesmo com o BC vendendo dólares para dar suporte à moeda.  A rúpia da Índia recuava 0,5%, para 46,41/42 por dólar.

Na quarta-feira, o Brasil anunciou a taxação de 1,5%, dizendo que a cobrança busca "equalizar" os mercados após a cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros voltados a renda fixa e ações no Brasil, como forma de tentar conter a valorização do real.

Com a medida, muitos investidores em bolsa passaram a negociar apenas ADRs, para evitar a taxação. Mas outros compravam ADRs com o objetivo de cancelar os recibos, tendo em troca ações no mercado doméstico e, assim, escapando da incidência de IOF.

 

(com Nathália Ferreira, da Agência Estado, e estadao.com.br)

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