Moedas das economias emergentes despencam

Além do real, movimento foi registrado ontem com o peso do México e da Colômbia e a lira turca, que atingiu a mínima histórica

O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2013 | 02h25

Assim como o real, a cotação de outras moedas de mercados emergentes despencaram ontem frente ao dólar, enquanto os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) avançaram.

O comunicado da reunião do Federal Reserve (o Fed, o banco central americano) e a entrevista do presidente da instituição, Ben Bernanke, colocaram os investidores em pânico com a perspectiva, cada vez mais concreta, de menos estímulos do banco central americano.

Assim, a fuga de mercados de maior risco provocou uma forte saída dos investidores dos países emergentes.

A lira turca alcançou sua mínima histórica ante o dólar ontem, obrigando o banco central da Turquia a vender US$ 350 milhões no mercado doméstico para dar sustentação à divisa.

Ao longo do dia de ontem, o banco central da Turquia fez seis leilões de dólares no mercado à vista do país. Mesmo assim, a moeda local renovou a mínima histórica e fechou a 1,9391 lira por dólar, em queda de 2% frente à moeda americana. A Bolsa de Istambul não escapou da onda de vendas e fechou em queda forte de quase 7% no pregão de ontem.

No México, a moeda americana atingiu os níveis mais altos ante o peso desde agosto do ano passado, apesar da estreita correlação econômica do México com os Estados Unidos e da expectativa por reformas domésticas no país. O peso mexicano já recuou 12,5% frente ao dólar nas últimas seis semanas.

Real. O real, que atingiu a mínima em quatro anos ante a moeda americana, já caiu 17% desde que atingiu, em março, o seu pico de 2013. Na Venezuela, os preços dos bônus do governo são negociados em forte queda.

Na Colômbia, o peso caiu ao menor nível frente ao dólar desde dezembro de 2011 logo na abertura dos negócios de ontem, sendo negociado a 1.934,50 por dólar.

Operadores no mercado local acompanham atentamente o movimento de depreciação da moeda colombiana à medida que a taxa de câmbio se aproxima do importante nível psicológico de 2.000 pesos por dólar, que não é registrado há dois anos e meio.

Agora, o peso acumula perda de 9% frente ao dólar em 2013, revertendo quase toda a alta registrada no ano passado.

Segundo o Société Générale, esse movimento ainda vai piorar. "O movimento nos mercados emergentes globais já foi bem severo, mas ainda há dores consideráveis pela frente", afirmou o banco. A instituição financeira tem recomendado aos seus clientes a venda de moedas como o real, o rand sul-africano e o baht tailandês ante o dólar.

Emergentes. Analistas do Goldman Sachs afirmaram que os indícios de menor crescimento no mundo, principalmente na China, e a gradual retirada prevista para o programa de estímulos do Fed à economia americana devem provocar uma era de desempenho ruim dos mercados emergentes.

Segundo os analistas, o principal motivador desse movimento é a alta nos juros dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano. Os países com déficit em conta corrente terão ainda mais problemas do que os demais países. O banco Goldman Sachs frisou, no entanto, que alguns países poderão se recuperar graças a políticas sólidas e a um desempenho melhor do que outros emergentes. / DOW JONES NEWSWIRES

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