Molina, do Marfrig, vai processar a Empiricus

Empresa de pesquisa publicou várias 'cartas abertas' à empresa em seu site, apontando falhas no balanço do frigorífico

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h06

O presidente do frigorífico Marfrig, Marcos Molina, vai processar a empresa de pesquisa Empiricus, que publicou em seu site diversas "cartas abertas" criticando o balanço da empresa. A companhia confirmou a contratação do advogado Paulo Aragão, do escritório Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, para tomar as providências jurídicas.

A decisão de processar a Empiricus veio cerca de um mês depois que as primeiras críticas ao balanço do Marfrig apareceram no site da empresa de pesquisa. A Empiricus aponta inconsistências no balanço do terceiro trimestre do Marfrig, que veio com números melhores do que os esperados pelo mercado, apesar de a companhia ter fechado o período entre julho e setembro com prejuízo de R$ 540 milhões.

Desde 28 de novembro, quando o primeiro post foi escrito no blog da empresa de pesquisa, mais de uma dezena de textos foram escritos sobre o frigorífico. Além de críticas ao balanço, a Empiricus também publicou diversas "tréplicas" às explicações que o Marfrig deu à imprensa e a profissionais do mercado de capitais durante um evento da associação do segmento, a Apimec.

Entre os questionamentos feitos pela Empiricus sobre o balanço estão a falta de clareza na explicação do cálculo da dívida da companhia e as razões para a melhora nas margens do negócio de bovinos. Os posts se caracterizam pelo tom jocoso: "Sem nada para fazer num final de semana chuvoso, decidimos mergulhar de novo sobre os números de 2009 e 2010 (do Marfrig)."

Dificuldades. O caso Empiricus surgiu no fim de um ano difícil para o frigorífico, que nos últimos anos tornou-se um dos campeões de aquisições no País, graças ao apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Após tanto investimento, no entanto, registrou uma série de resultados negativos, por conta das dificuldades nos Estados Unidos, onde comprou a Keystone, fornecedora do McDonald's, e também no Brasil, onde a Seara tem problemas em enfrentar a Sadia.

Nos últimos meses, o Marfrig começou a se desfazer de ativos não relacionados à sua atividade fim. Em setembro, o grupo vendeu a divisão de logística da americana Keystone para a Martin Brower, por US$ 400 milhões. Nesta semana, a empresa transferiu a gestão do transporte de seus produtos do Brasil para a Julio Simões Logística, além de vender ativos de logística para a empresa por R$ 150 milhões. Outra ação foi a troca de ativos com a Brasil Foods, o que vai aumentar a capacidade da companhia em alimentos processados.

A Empiricus não foi localizada para comentar o assunto.

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