Molson fará concorrência à AmBev e isso é bom, diz Considera

A compra da cervejaria Kaiser pela empresa canadense Molson vai contribuir para a queda dos preços das cervejas no Brasil. A aposta é do secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera. "É mais competição no mercado. A Molson é uma empresa grande e vai reforçar o capital da Kaiser", disse Considera em entrevista à Agência Estado. Para o secretário, o mercado de cervejas brasileiro volta agora a ter um competidor "potencialmente forte" para enfrentar a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev), que uniu na mesma empresa as três principais marcas de cerveja do Brasil - Brahma, Antárctica e Skol. Segundo Considera, antes da formação da AmBev os preços das cervejas consideradas "premium" vinham caindo 5% ao ano. "Depois percebemos que os preços pararam de cair", disse. O secretário avaliou que foi a falta de concorrência que fez com que a queda dos preços fosse interrompida. "O nosso parecer foi contrário a essa operação. A AmBev tinha que vender o negócio Skol e não a Bavária", ressaltou o secretário. Para ele, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) daquela época, cuja formação não é mais a mesma, "aprovou e protegeu um monopólio" com a sua decisão. "O Cade não deixou a Kaiser comprar a Bavária. Nenhuma empresa que tivesse mais de 5% do mercado poderia comprar a marca, o que impediu que a Kaiser entrasse nesse mercado de cerveja premium", afirmou. Segundo ele, antes da criação da AmBev, a canadense Molson ia comprar a Antárctica. "A compra da Antárctica foi feita para tirar um competidor do mercado, que era a Molson. A cervejaria canadense tinha feito propostas para comprar a Antárctica, porque estava querendo entrar no mercado brasileiro há muito tempo", lembrou. A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda vai agora analisar a compra da Kaiser pela Molson, mas em princípio o secretário Claudio Considera não identificou riscos à concorrência. A operação foi anunciada ontem e envolve a aquisição integral da cervejaria brasileira por US$ 765 milhões. A Heineken, que tinha 14,2% da kaiser, pagou US$ 220 milhões para ficar com uma participação de 20% da nova empresa, que reunirá a Kaiser e a Bavária. A Molson já havia comprado há dois anos a Bavária da AmBev. "Não olhei os dados, mas não tenho razão para achar nenhum problema por enquanto. Isso não quer dizer que vamos aprovar o ato tranquilamente. Vamos analisar e já mandei minha equipe pegar os dados de mercado", informou o secretário. Considera advertiu, no entanto, que a empresa deve esperar o julgamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) antes de tomar qualquer decisão que considere "irreversível". A Seae é o primeiro órgão do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência a dar o seu parecer sobre operações de aquisição e fusão de empresas. Depois da Seae, o segundo órgão a dar o parecer é a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça. Os pareceres da Seae e da SDE servem de subsídio para o julgamento da operação pelo Cade.

Agencia Estado,

19 de março de 2002 | 15h59

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