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E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Momento de dificuldade para financiamento externo

As empresas brasileiras que necessitam de financiamento externo estão iniciando uma corrida contra o relógio, com o ambiente internacional para a obtenção de crédito se tornando cada vez mais adverso e prometendo se deteriorar ainda mais nos próximos meses. O principal motivo para o encarecimento do crédito ao Brasil, segundo os analistas consultados pela Agência Estado, é o risco político gerado pelas eleições presidenciais. Além disso, as incertezas em relação à economia norte-americana e o caso Enron tiveram um impacto negativo sobre o mercado internacional de bônus, apertando a liquidez. Ao longo dos últimos meses, várias empresas e bancos brasileiros intensificaram as suas captações externas, acompanhando uma estratégia adotada pelo Banco Central na emissão de soberanos, já prevendo um forte aperto de liquidez no período pré-eleitoral. Muitas dessas operações fom securitizadas, oferecendo garantias aos investidores para o risco político, ou de curto prazo, com vencimento de apenas seis meses, antes das eleições de outubro. Segundo os analistas, apenas grandes empresas com presença internacional ou bancos terão condições de tentar obter financiamento externo a partir de agora, mesmo assim a um custo mais caro do que nos últimos meses. Eles acrescentam que mesmo os papéis com o seguro contra o risco político terão dificuldades de ser negociados."A maré mudou para as emissões brasileiras, o mercado está se fechando, mas isso já era previsível com a chegada das eleições", disse um diretor de um banco europeu. Segundo ele, apesar de Lula liderar as pesquisas de opinião não representar um fato novo, os últimos levantamentos reforçaram o temor entre os investidores de que a candidatura Serra terá sérias dificuldades de firmar.Para o diretor da corretora Liabilities Solutions, Wilber Colmerauer, o risco político é apenas mais um ingrediente de uma conjuntura "perigosa", cujo principal fator continua sendo os Estados Unidos. "Já estamos quase na metade deste ano, a recuperação norte-americana ainda gera sérias dúvidas entre investidores e isso está afetando o apetite do mercado?, disse Colmerauer. "Além disso, um caos político na Argentina, cuja situação não pára de piorar, e a fragilidade de alguns fundamentos do Brasil também não ajudam." Segundo Colmerauer, o acesso ao mercado externo, que já está difícil, deve se fechar ainda mais. "Haverá a necessidade de muitas rolagens de dívidas nos próximos meses no setor corporativo", disse. "O custo vai ser alto."

Agencia Estado,

03 de maio de 2002 | 07h16

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