Momento é histórico para investimentos, diz Meirelles

Para presidente do BC, investidor externo aposta no País

Andréia Lago e Beatriz Abreu, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2007 | 00h00

A perspectiva dos investidores internacionais para o Brasil passa por um momento histórico, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele participou ontem, em entrevista exclusiva, do Agência Estado no Ar, programa que marca a estréia da Agência Estado na programação da Rádio Eldorado. Ouça a íntegra da entrevistaSegundo Meirelles, houve uma mudança no sentimento dos investidores em relação ao País nos últimos anos. "Nos primeiros momentos, existia grande preocupação com a solvência." Na época, de acordo com o presidente do BC, além das multinacionais com presença histórica no Brasil, o interesse dos investidores era apenas em títulos do governo ou em papéis privados no mercado de crédito.Após participar das reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington (EUA) na semana passada, Meirelles avaliou que agora os estrangeiros concentram as atenções nos investimentos em Bolsa e começam a se voltar aos segmentos de private equity e venture capital - de empresas que ainda não chegaram ao mercado de ações."Esse é um movimento da maior importância, que mostra a aposta dos investidores no crescimento do País, não apenas na solvência." Segundo o presidente do BC, o maior desafio do País é produzir projetos suficientes para absorver com sucesso essa demanda.Questionado sobre a interrupção do ciclo de queda dos juros diante do cenário positivo, Meirelles justificou que o Comitê de Política Monetária (Copom) leva em conta não apenas o que acontece agora, mas também a perspectiva futura. "Os diretores tomam sempre as decisões que, no entender do Comitê, melhor atendem aos interesses do País, como a continuação da inflação na meta e, em conseqüência, uma maior possibilidade de crescimento."Segundo Meirelles, a melhora dos fundamentos da economia brasileira fortalece o País contra crises externas. Ele avaliou que a redução na trajetória de queda da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o aumento das reservas internacionais e a inflação na meta deverão levar o Brasil a obter o grau de investimento das agências de classificação de risco. Porém, não prevê uma data para a elevação da nota.Ainda segundo Meirelles, o Brasil vem mostrando que é capaz de crescer a taxas muito superiores. O presidente do BC considerou que o aumento do potencial de crescimento e da redução do risco formam uma combinação virtuosa. De acordo com ele, a expansão é baseada na demanda doméstica, com componentes não só de consumo, como de investimento.Apesar de considerar o Brasil mais preparado para enfrentar turbulências internacionais, Meirelles ponderou que é preciso avaliar os impactos da crise financeira nos Estados Unidos. FUNDO SOBERANOEm relação à criação de um fundo soberano, Meirelles disse que os estudos para ainda estão no início, mas "à primeira vista" o instrumento parece útil e positivo para o País. A intenção do governo de constituir um fundo com recursos das reservas internacionais do País foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e vem criando polêmica no mercado. Segundo Meirelles, neste momento equipes do BC e da Fazenda trabalham juntas no assunto. "O ministro optou por anunciar o processo no início, com a minha concordância, para evitar vazamento e rumores." O presidente do BC disse que uma discussão mais ampla somente poderá ser feita no momento em que estiverem definidas as regras de governança e a estratégia de aplicação do fundo.

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