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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Momento favorável ameniza efeito político

O mercado financeiro vem mantendo o equilíbrio apesar das incertezas no cenário político do País. Desde que o escândalo envolvendo a empresa Lunus, de propriedade da pré-candidata do PFL e governadora do Maranhão Roseana Sarney, veio à tona, as oscilações foram um pouco maiores, mas não chegam a figurar um clima de instabilidade.De lá para cá, até ontem, o dólar registrou uma alta de apenas 0,17%, oscilando entre a mínima de R$ 2,3120 registrada no dia 5 de março à máxima de R$ 2,3810 no dia 7 de março. Analistas consideram que o resultado das primeiras pesquisas de intenção de voto realizadas após o rompimento entre o PFL e o PSDB é o principal motivo para este quadro.Os investidores temiam que partidos de oposição fossem os mais beneficiados com os últimos acontecimentos, o que não se confirmou. Na verdade, o que se viu, foi uma melhora do presidenciável pelo PSDB, José Serra. A perspectiva de continuidade da política econômica atual deixou os investidores mais tranqüilos.Perspectivas para mercadosParalelamente à atenção com o cenário político, os analistas começam a opinar sobre o resultado da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada nos dias 19 e 20 deste mês. A maioria deles já aposta em mais uma redução da Selic, a taxa básica de juros da economia. Segundo ele, são grandes as chances de mais um corte de 0,25 ponto porcentual.Os números no mercado de juros já apontam esta expectativa. Ontem, os contratos de DI futuro com vencimento em outubro, pagavam juros de 17,910% ao ano - patamar abaixo da taxa Selic, que está em 18,75% ao ano. A definição da política monetária é dada pelo cumprimento da meta de inflação, que neste ano é de 3,5%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, já revelou que o centro da meta não é o alvo principal e que uma inflação entre 4,0% e 4,5% em 2002 já seria um patamar suficiente para estimular a redução dos juros. Para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a redução dos juros seria uma boa notícia. Depois do último corte da taxa Selic, no mês passado, a média diária do volume de negócios apresentou uma alta de aproximadamente 50%, passando de um volume em torno de R$ 500 milhões para uma média de R$ 750 milhões. É fato que outras notícias também contribuíram para este cenário, como a melhora na taxa de risco do Brasil e a elevação na perspectiva de rating da dívida brasileira anunciada pela agência de risco Moody´s. Apesar dos últimos acontecimentos no cenário político, o volume de negócios permanece elevado. Mercados internacionaisNo cenário internacional, a melhora do ritmo econômico dos Estados Unidos também contribuiu. Ontem, segundo informações da Dow Jones, o presidente do Banco Central norte-americano (Fed), Alan Greenspan, afirmou que a atividade econômica do país está "começando a se firmar". Este é um fato positivo, dado que os EUA têm papel de grande importância nas relações comercial e nos mercados financeiros de países do mundo todo.Na Argentina, permanecem as negociações entre o governo do presidente Eduardo Duhalde e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a liberação de novos recursos. Porém, o Brasil já vem mostrando um descolamento da situação argentina e os mercados poderão continuar equilibrados, mesmo que a situaçào do país vizinho se agrave, o que já é esperado por muitos analistas. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

14 de março de 2002 | 07h55

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