Momento político se mostrou inconveniente para o trem-bala

Embora seja um projeto tecnicamente muito importante, a presidente Dilma Rousseff preferiu bater o martelo e adiar a licitação do Trem de Alta Velocidade (TAV). Na avaliação do Palácio do Planalto, o momento político é inconveniente para o anúncio de construção de um projeto cujo valor supera os R$ 38 bilhões, enquanto a população clama por um transporte público mais eficiente dentro das cidades.

BASTIDORES: Anne Warth, Eduardo Rodrigues e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

13 de agosto de 2013 | 02h02

Pesou também na decisão da presidente o fato de apenas uma empresa ter manifestado interesse real em apresentar uma proposta para a execução do projeto. "Não é possível levar adiante um projeto deste porte com apenas um concorrente", sentenciou a presidente, de acordo com auxiliares, no início da noite de domingo.

Mesmo assim, o governo não escondeu a frustração. Todos queriam manter a data do leilão, no dia 19 de setembro. O adiamento é visto como mais um desgaste ao projeto do trem de alta velocidade, no momento em que o governo aposta todas as fichas no programa de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para impulsionar a economia.

A decisão foi tomada no domingo, em uma reunião entre a presidente Dilma Rousseff, o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, e a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O ministro dos Transportes, César Borges, participou via teleconferência.

Embora o trem-bala tenha sido protelado por "pelo menos um ano", nas palavras de Borges, assessores da presidente não acreditam que o empreendimento seja retomado em plena campanha eleitoral. Portanto, em princípio, a obra estaria adiada para um possível segundo mandato de Dilma.

A ideia do Planalto, neste momento, é ajudar os Estados e municípios a atenderem a uma das principais reivindicações da ruas, que detonou as manifestações em diversas cidades do País.

A presidente foi informada dos problemas que a obra enfrentará. De Campinas até São José dos Campos, a construção é considerada normal e viável. Mas a parte de construção da Serra das Araras até o Rio de Janeiro é cara e seu custo pode crescer ainda mais, dependendo da geologia do local, que até agora não foi estudada.

Muitas empresas brasileiras que conhecem a área desistiram de entrar na concorrência. A região está sujeita a frequentes deslizamentos de terra, por exemplo. Engenheiros ouvidos pelo Planalto informaram que é impossível manter a velocidade do TAV em terrenos como os que terão de ser percorridos sem imensas e onerosas correções de solo e prevenções.

Para isso, era preciso que a velocidade média fosse bastante reduzida.

Com isso, o governo federal não concorda. Até porque um meio de transporte com velocidade inferior a 350 quilômetros por hora não seria capaz de concorrer com o transporte aéreo, justamente o maior trunfo do trem-bala nessa região do País, que é capturar parte da demanda da ponte aérea Rio-São Paulo.

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