Momento ruim para ações de Internet

Para o diretor-gerente da Invest Partners, Jan Jarne, o mercado acionário carece de investidores dispostos a correr riscos elevados. "A tendência no Brasil é de concentração nos papéis de primeira linha, ou seja, ações com maior facilidade de negociação e melhores perspectivas de rentabilidade", afirma. Jarne diz que o nervosismo, sobretudo quanto ao Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia papéis do setor de tecnologia -, reduz ainda mais o interesse por empresas de países emergentes. "Pode haver exceção no caso de companhias com forte estrutura financeira, como o portal Globo.com", avalia. Ele recomenda aguardar para iniciar um processo de abertura de capital e lançamento inicial de ações (IPO, sigla em inglês). Momento exige cautelaRogerio Penalva, analista de investimentos do Banco Chase, também acha que o momento não é bom para uma IPO. "No Brasil, não devemos ter nenhum outro lançamento de ações este ano", prevê. Segundo ele, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está com os preços deprimidos, até para as ações favoritas dos investidores, como Petrobras e Telemar. A nova conjuntura exige empresas de Internet com uma base administrativa consistente e que sejam competitivas, na avaliação do diretor executivo do Banco BBA Creditanstalt, Pércio de Souza. "A companhia precisa saber claramente quais são as barreiras contra a entrada de concorrentes", ressaltou. Empresas de olho no mercadoCompanhias como a UOL, a IG, a Americanas.com e a Amélia - do grupo Pão de Açúcar - aguardam um sinal positivo para colocarem papéis nos pregões. A tentativa recente da AOL-LA de realizar uma IPO e a necessidade de reduzir os preços dos papéis pela metade "jogaram um balde de água fria" nas expectativas das companhias.O Universo Online (UOL) aguarda o momento propício de mercado para fazer seu lançamento inicial de ações. Segundo o diretor de Relações com Investidores, Ricardo Florence, a documentação para oferta dos papéis do UOL ainda está sendo analisada pela Securities & Exchange Comission (SEC), equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira. Maior racionalidade nos negóciosAcreditava-se que, após a queda pronunciada nos preços no segundo trimestre deste ano, o pior já havia passado. Daniel Baldin, analista de private equity do Banco Fator, diz que a euforia do final do ano passado e início deste ano deu lugar a maior racionalidade."As empresas que tentarem agora colocar os papéis devem aceitar preços bem mais baixos ", diz Bruno Zaremba, analista de internet do Banco Pactual. Jair Santiago, analista do Banco Brascan, acrescenta que os aplicadores estão mais atentos aos modelos de receita e exigem prazos menores para retorno do capital investido.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.