Marcos Santos/USP Imagens
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Monitor do PIB da FGV indica retração mensal de 1% em agosto

O desempenho da economia atingiu o menor patamar desde março, de acordo com o indicador da Fundação Getulio Vargas

Daniela Amorim , O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2021 | 15h28

RIO - A retomada da atividade econômica vem perdendo fôlego. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) deva encerrar o ano de 2021 com crescimento em torno de 5%, impulsionado por uma base de comparação depreciada pelo choque da crise sanitária, o desempenho da economia em 2022 deve ser pífio, prejudicado por incertezas políticas e econômicas. Essa é a avaliação de Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 1,0% em agosto ante julho, calculou o Monitor do PIB, apurado pelo Ibre/FGV. Na comparação com agosto de 2020, a atividade econômica cresceu 4,4% em agosto de 2021, a taxa mais branda desde março, quando teve elevação da mesma magnitude.

"O crescimento este ano vai continuar facilitado pelo efeito base (baixa), mas menor. As taxas são decrescentes. A economia vai continuar crescendo, mas não vai ser 7% como alguns acreditaram. Acho que vai ficar um pouco abaixo de 5%. Em 2022, acredito que vamos continuar com crescimento pífio. A economia vai crescer em torno de 1%, um pouco mais", afirma Claudio Considera.

O economista diz que a recuperação do PIB tem sido sustentada mais recentemente por uma melhora no segmento de outros serviços, beneficiado pelo avanço da vacinação da população contra a covid-19, que permitiu um maior consumo das famílias em bares, restaurantes, hotéis e viagens, por exemplo. Por outro lado, indústria, comércio e serviços de intermediação financeira perderam fôlego.

Pelo lado da oferta, o PIB da agropecuária cresceu 2,2% em agosto ante julho, enquanto o da indústria subiu 0,2%. O PIB de serviços teve retração de 0,2%.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias encolheu 1,8%, e o consumo do governo diminuiu 4,9%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) caiu 1,4%. As exportações cresceram 12,4%, e as importações caíram 16,1%.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

Em valores correntes, o PIB alcançou aproximadamente R$ 5,680 trilhões de janeiro a agosto de 2021. 

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