Reprodução/Google Street View
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Monitor do PIB aponta alta de 0,6% em fevereiro ante janeiro

No trimestre terminado em fevereiro de 2022 ante o mesmo período de 2021, a economia cresceu 1,7%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2022 | 10h45
Atualizado 20 de abril de 2022 | 12h03

RIO - A expansão de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em fevereiro ante janeiro é resultado de uma base de comparação baixa. No mês anterior, a economia tinha retraído 1,0%, segundo cálculos do Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

"Só tem essa recuperação em fevereiro por causa da base ruim de janeiro, a base de comparação baixa", avaliou Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV). "A gente não pode se deixar enganar com esse 0,6% de alta", completou.

Na comparação com fevereiro de 2021, a atividade econômica teve expansão de 1,2% em fevereiro de 2022.

"Esse crescimento tem basicamente a ver com o setor de serviços, mas ele cresce cada vez menos. As taxas mensais em 2021 foram mais elevadas em relação a 2020, porque serviços tinham caído muito, então a taxa de crescimento mensal acaba se reduzindo um pouco agora", justificou Considera.

Pela ótica da oferta, o PIB de serviços cresceu 0,3% em fevereiro ante janeiro, após um recuo de 1,1% no mês anterior. O PIB da indústria encolheu 0,4% em fevereiro ante janeiro (após queda de 1,0% no mês anterior), enquanto o PIB agropecuário caiu 5,6% (depois da alta de 5,3% no mês anterior).

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve expansão de 2,2% em fevereiro ante janeiro, e o consumo do governo registrou ligeira alta de 0,1%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) cresceu 1,3% no período. As exportações aumentaram 6,0%, já as importações tiveram retração de 20,4%.

Embora os resultados mostrem o setor de serviços como fundamental para o desempenho da economia no início deste ano, o cenário de inflação, juros e desemprego elevados pode prejudicar a manutenção desse processo de crescimento no decorrer do ano, afetando também o próprio PIB, corrobora Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB - FGV.

"Por ter sido o mais impactado pela pandemia, a fraca base de comparação apresentada no setor de serviços favorece o seu bom desempenho atual", avaliou Trece, em nota oficial do Monitor do PIB.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

Claudio Considera lembra que a expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2022 permanece abaixo de 1%. Na terça, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano, de 0,3% para 0,8%.

"Tem muita incerteza por conta da eleição (para presidente no Brasil) e da invasão da Ucrânia, que é um problema enorme para a nossa indústria de transformação", ressaltou o pesquisador do Ibre/FGV.

Ele frisa ainda que a demanda doméstica não anda aquecida, em um cenário de pressões inflacionárias e alta nos juros.

"A inflação tira o poder de compra das famílias, e o consumo deve começar a cair", previu.

Em termos monetários, o PIB alcançou aproximadamente R$ 1,332 trilhão no primeiro bimestre de 2022, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 19,9% no mês de fevereiro de 2022.

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