Tiago Queiroz/Estadão
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Laura Karpuska
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Monitoramento de candidatos é mais eficaz quando deixamos a cegueira ideológica de lado

Não existe, hoje, um candidato que seja o representante ideal das minhas preferências políticas e econômicas; apesar disso, qualquer candidato tem o potencial de nos ajudar a reconstruir o Brasil pós-Bolsonaro

Laura Karpuska, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2021 | 04h00

Tenho tentado ver o próximo ano com algum otimismo. Não é fácil. 2022 promete ser conturbado. No mundo, negacionismo e desigualdade vacinal fazem a pandemia perdurar.

No Brasil, um governo federal fraco, à margem da realidade e um Congresso marcado pela constitucionalização do fisiologismo tornam a vida mais difícil. Vemos também um aumento da desigualdade, da inflação e do desemprego. 

No entanto, temos eleições, e isto deve ser motivo de ânimo. Não existe, hoje, um candidato que seja o representante ideal das minhas preferências políticas e econômicas ou que tenha um passado virtuoso.

Apesar disso, qualquer candidato tem o potencial de nos ajudar a reconstruir o Brasil pós-Bolsonaro. E este potencial depende do nosso comportamento como eleitores e cidadãos. 

Avaliarmos projetos de governo e sua factibilidade é o primeiro passo para incentivarmos estes candidatos a fazerem escolhas melhores. Eles devem saber que não nos acomodaremos com demagogias e promessas vazias.

Eles devem saber também que serão punidos nas urnas caso façam escolhas ruins. Este monitoramento ativo, fundamental na democracia, é mais eficaz quando deixamos a cegueira ideológica de lado. Nos vemos abertos ao diálogo e dispostos a criticar todos os candidatos – inclusive aquele que escolhemos. 

Os últimos anos foram marcados por uma piora da qualidade do debate no Brasil. A polarização cultivou e foi cultivada pelos extremismos. Este processo de polarização dificulta o aprendizado com o diferente e reduz o papel da técnica na condução de políticas públicas.

A polarização também desumaniza o outro. Quem pensa diferente de mim é o inimigo. O inimigo não sente dor, não possui amigos, uma família. Com o outro desumanizado, fica mais fácil alguém ocupar falsamente o lugar de um messias.

Ele estaria, erroneamente, acima de todos e de quaisquer críticas. Ficamos vulneráveis para o populismo e uma catástrofe política, social e econômica – somos provas disso.

Seja quem for o candidato escolhido por cada um, ou o que vai se sentar na cadeira presidencial em 2023, espero que seja cobrado para trabalhar arduamente e bem pelo Brasil.

Que em 2022 a gente se liberte de um certo comodismo que nos cercou, da ideologia cega que impossibilita o debate e acirra o ódio. Que a gente lembre que somos nós que vamos conduzir o processo eleitoral que vai nos tirar do obscurantismo em que nos encontramos.

Desejo um feliz 2022 para todos. Que não esqueçamos que o Brasil somos nós.

 

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